terça-feira, 27 de julho de 2010

sábado, 17 de julho de 2010

Ainda existem bobos no futebol

Diz o Código Galvão Bueno das Frases Feitas, no artigo 6°, inciso XIII:

"Não existe mais bobo no futebol".

Na aplicação original da frase, em termos de cancha, pode até ser. Mas no futebol em geral, bom, isso não se aplica.

Nos dois últimos meses, tivemos duas histórias que comprovam a minha afirmativa.

Se você não esteve no planeta Terra nas duas últimas semanas talvez não saiba, mas o goleiro do Flamengo, Bruno, está preso suspeito de participação no assassinato da modelo, atriz pornô e manequim (discurso padrão da maioria das mocinhas que não gostam de trabalhar, de fato), Eliza Samudio.

Ele é um bom goleiro, acompanhei a carreira dele na base do Atlético e sempre apresentou bons reflexos, bom posicionamento e boa liderança. Era titular do Flamengo desde o fim de 2006, havia recentemente completado 230 partidas pelo clube. Isso com 25 anos de idade... Tinha um futuro absolutamente promissor no esporte, apesar do caráter (?!) duvidoso e do descontrole em algumas situações. Especulações davam conta que ele era um dos favoritos a assumir o posto do brasileiro Dida, no Milan da Itália.

Tudo foi jogado no lixo nesses últimos dois meses.

Saindo do óbvio sensacionalismo que envolve o caso, quero falar sobre as escolhas que envolveram o caso e como o goleiro poderia ter resolvido as coisas de maneira bem simples. Uma vez que a moça dizia que ele era o pai do filho, bastava fazer o teste de DNA e comprovar a paternidade. Uma vez comprovado que ele não era o pai, problema resolvido. Caso contrário, bastaria passar a contribuir com a pensão... Convenhamos, nada muito absurdo pra alguém que recebe R$ 200 mil mensais, fora contratos de patrocínio... Uma pensão fora da realidade brasileira, para ele não seria algo exagerado... Talvez uns 30 mil reais por mês, mais do que o necessário para a criação de seu filho, de fato, porém irrisório se levarmos em conta os vencimentos do pai.

Independente de a mãe ser uma chantagista ou qualquer coisa do tipo, a criança não tem nada com isso e merece crescer com boas condições, o que cabe aos pais proporcionarem. Como a situação financeira de Bruno é absolutamente tranquila, contribuir para a criação de seu filho é obrigatório, sobretudo sob o ponto de vista moral.

Porém, segundo as investigações, o goleiro tomou outra decisão. E está pagando por ela. Diferente de outros lugares, eu não vou falar que o referido fez ou deixou de fazer alguma coisa. Mas se as investigações se direcionaram a ele, fato comprovado pela prisão preventiva em uma penitenciária de segurança máxima, acho que as perspectivas não são muito boas sobre a inocência.

Independente de participação no homicídio ou não, a carreira de Bruno acabou.

O outro caso envolvendo "boleiros" (1) e burradas, envolveu o também jovem e promissor Alexandre Pato. Outra vez, por falta de orientação.

Pato tem 20 anos, joga no Milan desde 2007 e teve uma carreira meteórica. Até o fim de novembro de 2006, ninguém no Brasil conhecia o jogador e, depois de uma boa estréia e um bom Mundial Interclubes, virou a nova sensação do futebol. Seis meses depois, já estaria jogando na Itália.

Coisa de filme? Ainda não. Faltaria ainda o casamento com uma estrela de novela, jovem (como ele) e de família abastada.

Casamento que durou apenas nove meses e que vai custar caro. Cerca de dez dias atrás, foi determinado em juízo que Sthefany Brito tem direito a receber uma pensão correspondente a 20% dos rendimentos do jogador (trocando em miúdos, cerca de 130 mil reais, por mês). Cabe ainda, percentual para a atriz sobre qualquer contrato de patrocínio que envolva Pato.

Tá certo que Pato recebe muito bem, sobretudo para alguém de sua idade. De fato, não deve ter sido fácil para Sthefany largar a família e o trabalho no Brasil e se lançar às cegas na Europa, recém casada e sem experiência. Mas garantir a uma garota de 23 anos uma fortuna dessas, proveniente do trabalho de um ex-marido com quem esteve junto por menos de um ano é demais. Ela é jovem e saudável, apta a voltar a trabalhar como atriz (apesar de nunca ter sido nada demais) e quem sabe, viver como um mero mortal e fazer uma faculdade (pode até ser particular, aposto que o pai tem condições de pagar), procurar um emprego... Filho seria um motivo razoável para tal pensão, mas contrapondo a situação do Bruno, Pato e Sthefany (puta nome complicado de se escrever, pelo amor de Deus...) não tiveram herdeiros.

Com a minha pequena experiência em direito, acredito que a sentença da juíza que determinou os 20% será reformada pois é absurda. Mas ainda assim, por conta de falta de orientação ao jogador, grande parte de seus rendimentos está comprometida a uma ex-mulher com quem conviveu por meros nove meses. Não sei o que aconteceu no casamento dos dois, o objetivo do texto não é julgar o comportamento de X ou Y, muito menos ser machista ou anti-feminista. Só acho errado esse tipo de comportamento, amparado pela indústria do divórcio.

Assim morre a lição do artigo 8°, inciso XL, do Código Galvão Bueno das Frases Feitas:

"Malandro NÃO é o pato".

É amigo... Ainda existem bobos no futebol.


(1) Odeio essa expressão, mas é melhor do que falar "futebolista", como na wikipédia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Paciência de Jó

Conta o livro mais lido do mundo, Jó (ou Job, para alguns) foi um homem abastado que viveu na terra de Uz (baita nome legal, diga-se)...

Conta a história que Jó foi vítima de uma aposta entre Deus e Satanás. Mais precisamente, um teste de integridade e probidade. Jó possuía riquezas e era considerado o maior de todos os homens do Oriente...
Ora, chegado o dia em que os anjos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela. Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura Jó teme a Deus debalde? Não o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam na terra. Mas estende agora a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ele blasfemará de ti na tua face! Ao que disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está no teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. [Jó 1:6-12]

Satanás, entretanto, desafia esta fé, e então Deus permite que o mesmo interfira na vida de Jó, resultando na tragédia deste: a perda instantânea de seus bens, de seus filhos e de sua saúde.

Jó, porém, não blasfemou contra Deus, mas, ao invés disso, se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou ao Senhor. Deus permitiu que Satanás ferisse Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. Após a narração desses fatos, sucederam debates entre Jó e seus amigos (Elifaz, Bildade e Zofar) sobre a grandeza dos propósitos da divindade e sobre os mistérios da vida humana e sua culpabilidade. Ao final, Deus aparece a eles e repreende-os, e Jó fala: "Antes eu Te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos Te veem".

E Deus virou a situação de Jó, enquanto ele orava pelos seus amigos, e o Senhor devolveu a Jó em dobro a tudo quanto antes possuía de bens materiais, além de vir a ter outros sete filhos e três filhas, as quais vieram a ser consideradas como as mais belas da época. E ele viveu cento e quarenta anos, e morreu velho e farto de dias.

O momento wikipédia acaba agora.

Colocando tudo em linhas gerais, é possível continuar trabalhando normalmente com todo mundo sendo contrário ao seus serviços?

É suficiente ser campeão de três campeonatos tendo disputado quatro?

Dunga liderou a seleção na primeira colocação das Eliminatórias da Copa e se classificou com muita facilidade, foi campeão da Copa América e da Copa das Confederações. O único revés em termos de competições foi nas Olimpíadas, onde a seleção ficou em terceiro lugar.

E ainda assim, as cobranças só aumentam. Não ter levado Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar apagou completamente o histórico do treinador. Pelo menos é assim que a imprensa age.

Engraçado.

Porque ele foi o responsável por cortar (quase) todas as regalias da Rede Globo com a Seleção. Acabaram as entrevistas exclusivas pós jogo, as matérias imbecis com Ana Maria Braga e afins. Dunga peitou a Globo ao impor o fim da mamata.

Depois de quase quatro anos trabalhando contra a imprensa e consequentemente a torcida, apresentando bons resultados, Dunga ontem, após a vitória contra a Costa do Marfim pela primeira fase da Copa do Mundo, perdeu a paciência com um jornalista da Tv Globo que ficou ironizando sua resposta.

O contra-ataque da "Vênus Platinada", veio na forma de um editorial pra lá de mesquinho no Fantástico e na declaração de guerra contra o técnico.



Não há como dizer que Dunga está fazendo um mal trabalho pela seleção. Afinal, os números mostram o contrário. O impressionante é a Globo ficar revoltada por, pela primeira vez em muitos anos, não ter privilégios sobre os outros canais de tv.

Dunga castrou o futebol alegre da seleção de 2006, aquele oba oba tremendo que não rendeu em absolutamente nada. Fez o time jogar pragmáticamente, priorizando resultados antes de espetáculo. Vem dando certo.

Impôs o futebol pegado e brigador que demonstrava enquanto foi capitão da Seleção, naquela injusta referência de "geração Dunga" como uma geração fracassada. Uma geração que sob a batuta do próprio Dunga, foi tetra campeã em 94 e vice em 98, nunca se esqueceu das ásperas palavras ditas no passado.

E hoje, só resta dizer uma coisa:
Paciência tem limite.

Na humilde opinião deste que vos escreve, Dunga está mais do que certo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

"Mulherzinhação" do futebol.

A cena lembra a infância de todos... Dezenas de moleques jogando bola na quadra do colégio e, aquele camarada (geralmente o gordinho e/ou quatro-olhos) sentado isolado na arquibancada, geralmente ansiando por uma companhia para jogar Magic. Naquela época quem não jogava bola no recreio era "mulherzinha", naquela percepção infantil e inocente.

É o que está acontecendo com o futebol moderno. Estão castrando o futebol. Você vai ao estádio hoje e não pode tomar uma cerveja, não pode mais assistir o jogo de pé. Hoje, você tem de beber cerveja sem álcool (?!) e assistir assentado. O futebol está passando por um processo de "mulherzinhação", praticamente irreversível. Não que eu pense que futebol é esporte exclusivo para ogros e trogloditas... Longe de mim, mesmo porque não tem coisa melhor pra mim do que ir ao campo acompanhado da minha namorada.

"Mulherzinhação", no meu dicionário é sinônimo de frescura. Não tem nada a ver com entes do sexo feminino, mesmo porque existem mulheres que entendem mais de futebol do que alguns homens... Isso é irrelevante.

O que pesa pra mim, é que estão tentando elitizar um esporte do povo. Estão empurrando guela a baixo atitudes gentlemen no lugar tradicional de nêgo banguela.

Hoje (1) um jogador acusou outro de racismo (sic) por uma discussão em campo. Crime de injúria racial, o que de fato ocorreu, é uma coisa que deve ser abolida da sociedade, não defendo essa prática de maneira alguma...

Mas futebol é futebol.

É lugar onde a gente fala as coisas sem pensar, é onde a emoção de botar a camisa e vencer supera a razão. É de fato, uma guerra. Aquele cara com a camisa de outra cor é um inimigo e, tudo que for possível para reduzir o brio do mesmo é válido. Ainda que se xingue o rival com alguns nomes que você nem sabe o significado (sevandija é o meu preferido...), aquilo fica ali. Briga em futebol (e eu já vivi várias) não saem do campo. É um acordo tácito entre os Homens (sim, com h maiúsculo) que se dispõe a batalhar no campo, antes mesmo de sair do vestiário.

"Entendidos" pedem a elitização do futebol por meio de ingressos mais caros, comparando os preços dessa "forma de lazer" com teatro, cinema, shows... Engano puro, futebol não é lazer.

Futebol é coisa séria.

PS: eu nunca, de verdade, chamei alguém que não jogasse bola de "mulherzinha", é só uma expressão comum pra todo mundo, sobretudo, na infância.

PS2: Racismo, presente no artigo 20 da Lei 7716/1989, se aplica quando as ofensas se referem não a uma pessoa específica e sim a determinada raça (bem como cor, etnia, religião, origem...), ou seja, um número indeterminado de pessoas . Já a injúria racial, o que de fato aconteceu no jogo entre Palmeiras x Atlético-PR, é a ofensa de conteúdo discriminatório empregada a pessoa específica. Na prática, racismo é negar emprego a alguém porque a pessoa é judia, por exemplo.

(1)

domingo, 4 de abril de 2010

RIP.

Antes de mais nada, peço desculpas pelo atraso.
No dia 29 de março, o Brasil perdeu um dos maiores jornalistas de todos os tempos, o grande Armando Nogueira. Pela correria destes últimos dias, não fui capaz de homenagear o mesmo, pelo menos aqui no blog... Confesso que pesquisei sobre o cara pra poder escrever uma mini biografia pra quem não conhece, mas quer jeito melhor de homenagear um escritor do que citar um de seus grandes textos?
A MASSA
Armando Nogueira

Torcidas, as haverá mais numerosas (Flamengo) ou mais conhecidas por sua grandeza (Corinthians), mas nenhum séquito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heróico, em poesia acumulada ao longo dos anos. "A Massa", como é simplesmente conhecida em Minas Gerais, compartilha com a torcida corinthiana ("A Fiel") a honra de deixar-se conhecer com um substantivo ou adjetivo comum transformado em nome próprio, inconfundível. A Fiel, A Massa: poucas outras torcidas terão realizado tal operação de mutação de um nome comum em nome próprio.

Muito distintas são, no entanto, as torcidas dos alvinegros paulistano e belo-horizontino: quem já vestiu a camisa do time do Parque de São Jorge sabe que a Fiel é fiel em sua paixão, não em seu apoio. Na derrota, a Fiel é implacável; não desaparece, como a torcida do Cruzeiro. Está sempre lá. Mas é capaz de crucificar com um pequeno manifestar-se de sua raiva. Na vitória, cobra cada vez mais, e reinstala aí sua insatisfação, cuja raiz quiçá esteja no mal-resolvido trauma dos 23 anos sem título, e do grande pesadelo de duas décadas chamado Pelé. A Fiel é fiel, e sempre o foi, mas sua fidelidade se nutre de um descompasso entre a alma do torcedor e a alma do time.

No caso do atleticano, a alma do time não é senão a alma da torcida. Toda a mística da camisa, das vitórias sobre times tecnicamente superiores (e também das derrotas trágicas e traumáticas), emana da épica, das legendárias histórias que nutre sua apaixonada torcida: nem o Urubu, nem o Porco, nem o Peixe, nem a Raposa, nem o Leão, nem nenhum animal mascote se confunde com o nome do time, com sua identidade, com sua alma mesma, como o Galo com o Atlético Mineiro. E Galo é o nome da torcida (GA-LO), bissílabo cantável e entoável como animal. Nenhum outro time é conhecido por tantas vitórias improváveis só conquistadas porque a massa empurrou. "Quem possui uma torcida como esta, é praticamente impossível de ser derrotado em casa" (Telê Santana).

Pelos idos de 69 ou 70, o timaço do Cruzeiro já tetra ou pentacampeão entrava em campo mais uma vez e parecia que de novo ia humilhar o Atlético, que já amargava o quinto aniversário do Mineirão sem nenhum título estadual. A superioridade técnica de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Raul, Piazza e cia era simplesmente incontestável. Mesmo naquele clássico durante vacas tão magras, a massa atleticana era, como sempre foi, maioria no Mineirão. Impotente, ela viu Dirceu Lopes abrir o placar e o time do Cruzeiro massacrar o Galo durante 45 minutos. No intervalo, a massa que cantava o hino do Atlético foi inflamada por um recado de Dadá Maravilha pelo rádio: "Carro não anda sem combustível." A fanática multidão encheu-se de brios, fez barulho como nunca, entoou o grito de guerra como nunca, encurralou sonoramente a torcida cruzeirense, e o time do Atlético, infinitamente inferior, liderado pelo artilheiro Dario e pelo seu grande goleiro (como é da tradição atleticana) Mazurkiewcz - virou o placar para 2 x 1 sobre o escrete azul, e abriu caminho para a reconquista da hegemonia em Minas, selada com o título estadual de 70 e o Brasileiro de 71.

Nenhum dos jogadores atleticanos presentes nessa vitória jamais se esqueceu da energia que emanava das arquibancadas, e que literalmente ganhou o jogo. Começou a tarefa no domingo seguinte às 10 da manhã, levando legiões de bandeiras para uma amarga partida contra o Bahia no Mineirão. Nenhuma outra derrota de um favorito no Brasileirão se revestiria de tanta mística apaixonada. A partir daí essa Massa acumularia dez títulos mineiros em doze anos, e uma sequência de campanhas sensacionais no Brasileirão (o Atlético Mineiro é o time que mais pontos conquistou nos Campeonatos Brasileiros), interrompidas na final ou semifinal, em jogos fatídicos (São Paulo -77, Flamengo-80, Santos-83, Coritiba-85, Guarani-86, Flamengo-87, Corinthians-88). A magia atleticana se encarnaria no seu torcedor mais famoso, Sempre, cujo nome real não se conhece, tal é força do apelido. Durante décadas, Sempre ocupou as arquibancadas do Independência e do Mineirão, com sua bandeira e seus ditos legendários. Nunca deixou de comparecer e nunca vaiou o time, embora chorasse nas derrotas. Foi dos primeiros a entoar o hino composto por Vicente Motta em 1969, e depois aprendido por milhões em todo o Brasil. Abria e fechava o clube diariamente, e participou de epopéias memoráveis da massa atleticana, como quando a multidão carregou no colo o artilheiro Ubaldo, pentacampeão mineiro de 1956, de sunga, ao longo dos 5,5 kilômetros que separam o estádio Independência da Praça Sete, ou como quando 20.000 atleticanos invadiram o Maracanã e empurraram o time à conquista do Primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, sobre o Botafogo de Jairzinho. O Furacão de 70 sentiu seu peso de novo cinco anos mais tarde, na decisão do Mineiro de 76 - quando a Massa, mesmo tendo comemorado só 1 dos últimos 11 campeonatos mineiros, tomou conta do Mineirão para empurrar uma turma de me ninos de 18-21 anos (de nomes Reinaldo, Cerezzo, Paulo Isidoro, Danival, Marcelo) a vitórias contundentes sobre o campeão da Libertadores. Estava aberto o caminho para o hexacampeonato de 78-83.
"Se houver uma camisa alvi-negra pendurada no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento." O achado do cronista Roberto Drummond resume a mitologia do Galo: contra fenômenos naturais, contra todas as possibilidades, contra forças maiores, a torcida atleticana passa por radical metamorfose e se supera. Superou-se tantas vezes que já não duvida de nada, e cada superação reforça ainda mais a mística, como uma bola de neve da paixão futebolística. Nenhum atleticano hesitaria em apostar na capacidade da Massa de transformar o impossível em possível a qualquer momento, de fazer parar aquela tempestade que açoita o pavilhão alvi-negro deixado solitário no varal. Não surpreende, então , o sucesso que tiveram os jogadores uruguaios que atuaram no Atlético Mineiro, do grande Mazurkiewcz ao maior lateral-esquerdo da história do clube, Cincunegui. Se há uma mística de garra e amor à camisa que se compara à atleticana, é a da celeste, não mineira, mas uruguaia. Só à seleção uruguaia a pura paixão por um nome e um símbolo levou a tantas vitórias inacreditáveis, improváveis, espíritas, ou puramente heróicas. Em 1966, as duas camisas legendárias se encontraram, e o Galo derrotou o Uruguai duas vezes (26/04/66 - Atlético 3 x 2 Uruguai, 18/05/66 - Atlético1 x 0 Uruguai).
Ao contrário das torcidas conhecidas por sua origem étnica (Palmeiras,Cruzeiro, Vasco), por sua origem social (Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo), ou por seu crescimento a partir de uma grande fase do time (Santos, Cruzeiro), qualquer menção da torcida do Atlético Mineiro evoca, invariavelmente, a sub stância mesma que constitui o torcer. O amor ao time na vitória e na derrota, o apoio incondicional, a garra, a crença de que sempre é possível virar um resultado, o hino entoado unissonamente: a legião fanática que ama o Galo acima de tudo sabe que ser atleticano é unir-se num estado de espírito, compartilhar uma memória, e fazer da esperança uma permanente iminência. A massa atleticana é a prova maior de que, mesmo em época de profissionalização total do futebol, e do negócio futebol, para o povo brasileiro este é acima de tudo paixão por uma cor, um nome, um símbolo, a memória de um instante que pode ser um gol, um campeonato, um abraço ou um beijo. Galo é o nome que mais radical e verdadeiramente expressa, para tantos milhões de brasileiros, o inexplicável dessa paixão. O Galo é o único clube a ter vencido a Seleção Brasileira. E não foi qualquer uma. Ela entrou em campo com Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivelino); Jairzinho, Tostão (Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César). O Galo venceu com Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri (Beto); Vaguinho, Laci, Dario e Tião (Caldeira).
Clube Atlético Mineiro, Galo Sempre!
grito de guerra que ela eternizou ao encarnar em si o espírito do

Muito obrigado Armando Nogueira, pelo reconhecimento de sempre. Pelas palavras de sempre. Pelo talento de sempre. Ainda que não compartilhe de seu ideal de futebol arte, de espetáculo, cabe a mim abaixar a cabeça e dizer: Obrigado por tudo, mestre Armando.

Descanse em PAZ!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Silogismo

A wiki define:

Silogismo
Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός "cálculo") é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das primeiras duas, chamadas, é possível deduzir uma conclusão.

Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a conclusão e dos quais ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, dos quais se infere a consequência. Nas premissas, o termo maior (predicado da conclusão) e o termo menor (sujeito da conclusão) são comparados com o termo médio, e assim temos a premissa maior e a premissa menor segundo a extensão dos seus termos.

Eu exemplifico, desde os silogismos úteis até os inúteis:

"Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal".

"Toda regra tem exceção. Isto é uma regra. Logo, deveria ter exceção. Portanto, nem toda regra tem exceção".

"Os trabalhadores não têm tempo pra nada. Já os vagabundos... têm todo o tempo do mundo. Tempo é dinheiro. Logo, os vagabundos tem mais dinheiro do que os trabalhadores".

"Deus é amor. O amor é cego. Stevie Wonder é cego. Logo, Stevie Wonder é Deus."


Ok, vamos direto ao assunto. Tenho alguns amigos lulistas (sim, infelizmente isso é comum) e, dia desses me deparei com um e-mail eleitoreiro escrito por um gênio... O camarada listava as proezas do governo Lula comparando com estatísticas assaz abalizadas sobre os ganhos do Brasil com o governo petista e o de outros governos.

Respondi com um texto que achei uma vez na internet, cujo trecho reproduzo logo a baixo:
Uma pesquisa revela que 18% dos acidentes de trânsito são causados por mulheres no volante. O que se pode concluir disso?

Vamos lá, pense. O que se pode extrair desta estatística?

A maioria das pessoas vai concluir que mulheres dirigem melhor. Isto não é, necessariamente, verdade. Vamos mudar o sujeito da pesquisa e ver o que é concluído. Digamos que a mesma pesquisa indique que 35% dos acidentes de trânsito são causados por motoristas embriagados. Se você aceitar na primeira que isso se deve a mulheres dirigirem melhor que homens, você é obrigado a aceitar que dirigir embriagado é mais seguro do que dirigir sóbrio.

A segunda estatística é parcialmente válida. Ela não considera os acidentes indiretamente causados por motoristas bêbados, muito provavelmente, porque isso elevaria muito a proporção.

Já a primeira estatística não prova absolutamente nada. Digamos que o número de mulheres motoristas seja 5 vezes menor do que o de homens. Ignorando-se esta proporção, o valor parece baixo, mas se ela for levada em conta, vê-se que mulheres causam muito mais acidentes que homens. Vale lembrar que todos esses dados são hipotéticos.

A proporção correta deveria ser total de acidentes causados por mulheres pelo total de mulheres motoristas comparado ao total de acidentes causados por homens pelo total de motoristas homens. Só assim obtem-se uma idéia real de quem dirige melhor.

Silogismo. Faz sentido?

Falar que o país cresceu X% em tal ano é bobagem pra mim. Pra se analisar corretamente uma estatística (e falo isso com base no pequeno conhecimento sociológico que eu tenho), é mais importante levar em conta a conjuntura do que os números em si.

O Lula está tendo um bom governo, mas creditar os ganhos só a ele é um absurdo, beira o egocentrismo. Os 8 anos de governo FHC ajudaram na estruturação do Brasil, tanto interna quanto externamente, ninguém pode falar que sem ele a situação seria a mesma. Falam do FHC como se ele fosse
capitalista-malvadão-vendo-minha-mãe-por-mil-dólares-em-ações, assim como falam do Collor. Cada um assumiu o país em uma fase distinta e, se o Lula foi capaz de fazer crescer o Brasil (e foi), é por conta, também, de investimentos e ações iniciadas nos governo s anteriores.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Poder supremo

Post sem tendências machistas e preconceituosas (quem tem cabeça pequena pode ficar com essa impressão). Marcado com o selo de ironia, se não entender alguma coisa, entre em contato e em breve eu explico. Espero, com sinceridade, não ofender ninguém. Grato pela atenção.

Ombudsman do blog.



Antes de mais nada, leia novamente o aviso.

Leu? Obrigado.

O negócio é o seguinte, nunca fui de acompanhar Big Brother (confesso, eu assistia Casa dos Artistas - a primeira edição)... Mas esse último BBB eu tenho assistido com certa frequência. E tem um motivo: ignorância.

Recebi um e-mail (não tenho mais, mas acho que muita gente recebeu), pedindo pra que todos se engajassem para tirar o participante Marcelo Dourado porque ele tinha algumas suásticas em detalhes de uma tatuagem. Achei isso curioso, porque sempre soube que o símbolo da suástica foi usado por diversas civilizações e religiões desde sempre, tendo os mais variados significados. Teve também o período do nazismo, onde foi empregada como símbolo da supremacia ariana e etc. etc. No e-mail, tinha um comentário de um gênio exigindo (1) a eliminação do participante por fazer apologia ao nazifascismo. Silogismo puro. Ignorância pura.


Tattoo do camarada, foto da globo.com


Fiquei curioso e passei a procurar sobre o cara e fiquei sabendo que ele era meio isolado na casa, todo mundo com rejeição e resistência a ele pelo jeito mau humorado de ser, por ser meio troglodita com os participantes homossexuais e etc. Não vou mentir que me identifiquei eheheh Acabei caindo num site com os Fatos do Dourado (vide Chuck Norris Facts). Aí teve o papo do poder supremo... Porra, ele teve a manha ahaha Pra quem não viu:


"Eu vou votar no Dougado"... NOT!

Gostei. Jogada de mestre.

Mais do que isso, porque eu não tolero o papinho "comunidade gls unida contra o troglodita" (2). Por que toda minoria gosta de distorcer as coisas, quase que invariavelmente? Essa necessidade de se fazer de oprimido (claro que isso acontece, mas exageros pra que?), de levantar a bandeira e criar o conflito porque alguém não concorda com a sua opinião?

Atualmente, mais do que aceitar o homossexualismo, a sociedade impõe que achemos esta conduta normal e até certo ponto, cool.

Esquisito a maioria se expressar desta maneira, beira até a estupidez em alguns casos (com inclinação ideológica a filhadaputices como facismo, por exemplo), mas vejo por necessário a instituição de um orgulho heterossexual.

Sem preconceito. Sem chamar atenção. Sem polêmica.



Bonus: Alguns Dourado's Facts

- Quando o Bicho Papão vai dormir, ele deixa a luz acesa com medo de Marcelo Dourado.

- Marcelo Dourado derrubou o muro de Berlim achando que era uma ameaça de ir pro Paredão.
- Marcelo Dourado não liga o chuveiro, ele fica encarando até o chuveiro começar a chorar.

- Marcelo Dourado engravidou Zé Mayer.

- Marcelo Dourado atendeu o Big Fone e ouviu: "ops, foi engano!"

- O lado feminino de Marcelo Dourado é sapatão.

- O treinador do Michael Phelps disse: "imagine que o Dourado está atrás de você e nade!"

- Dourado é a única pessoa que não tem uma diva dentro dele.
- Marcelo dourado não usa relógio. Ele decide que horas são.
- Marcelo Dourado é o único ser humano que já derrotou uma parede de tijolos em um jogo de tênis.
- Marcelo Dourado comprou o Manchester City e o Chelsea.... com estalecas.

- Dourado vai reconstruir o Haiti com as estalecas que ganhar.

- Elenita disse: Eu tenho doutorado. Maroca disse: Eu sou policial. E o Dourado sorriu... eu tenho o PODER SUPREMO.

- Quando o Dourado faz musculação, o equipamento fica mais forte.

(1)
(2).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vende-se um roteiro de filme.

Tudo, eu disse tudo, que for escrito sobre o Super Bowl XLIV (ou quarenta e quatro, caso você não manje de algarismos romanos), vai parecer chavão. Ou roteiro de um filme de Hollywood.

Se você está boiando, leia o resto.

Em meados de 25 de agosto de dois mil e cinco, a costa sudeste (?) dos EUA foi atingida por um furacão, a.k.a. Katrina. Resumidamente, caso você estivesse em coma na época do ocorrido, milhares de pessoas morreram, além de regiões se tornaram inabitáveis. O lugar mais atingido, por ironia do destino um dos mais pobres, foi o estado da Luisiana (ou Louisiana, gastando um pouquinho do meu inglês), mas eu gostaria de me reter à capital, Nova Orleans (New Orleans, de novo).

Pra quem não tiver preguiça, uma mera googleada por "Super dome" + "Katrina" já basta, mas aos leitores (existem?) do blog mais preguiçosos, vamos ao texto... Futuramente, roteiro de filme... Podem apostar.

Com a tragédia e os vários desabrigados, o estádio do time de futebol da cidade, os Saints, foi tomado como abrigo por milhares de famílias. O time, que é o famoso saco de pancadas, teve suas maiores "vitórias" na década de 80, quando chegaram aos playoffs e conseguiram em algumas oportunidades mais vitórias do que derrotas na temporada, sempre sem grandes conquistas.

E agora entra o fator Hollywood.

Como em outros filmes sobre esportes, como The Replacements (Virando o Jogo, no Brasil), unem-se um time decadente a um astro idem. E no caso, estamos falando de Drew Brees. Sem querer pagar de sabe-tudo sobre futebol americano, o que eu sei é o básico... Brees é um grande QB (quarterback, o armador do time, ou cérebro), que se lesionou seriamente e foi desacreditado. Nada melhor então, do que ir para o pior time da liga. Nessa união que se iniciou em 2006 (ou seja, depois do Katrina), Brees e Saints saíram vencendo.

A relação atingiu o ápice nesta temporada atual, que se encerrou hoje. Mais precisamente, na última hora.

Com uma vitória sensacional na final da NFC (uma das conferências da NFL) diante dos favoritos Minessota Vikings, o time avançou pela primeira vez na história da franquia ao Super Bowl. Antes que você fale qualquer coisa, eu digo que o show do intervalo desse ano no SB foi do The Who. Agora você consegue imaginar o nível do evento, certo? Ainda não é o suficiente? Ok. Então eu vou falar que é a maior audiência da TV americana e o preço de um comercial de 30 segundos é de aproximadamente US$ 3 milhões. Um bocado, né?

Voltando...

Eles iriam enfrentar os Colts, um time bem favorito liderado por um QB praticamente inquestionável, Peyton Manning (figura quase certa no Hall da Fama e recordista em diversos atributos). Conveniente, em termos hollywoodianos, certo?

Errado. Ainda falta um detalhe.

Hoje, ou ontem, sei lá, os Saints venceram. E com certa autoridade, se é possível afirmar isso em um jogo deste porte.



Fica aqui minha singela homenagem aos New Orleans Saints, campeões do Super Bowl XLIV.

Que sirva de exemplo...