quarta-feira, 4 de março de 2015

Callcenters, PROCON e as redes sociais.

Dezembro do ano passado, mais precisamente no dia 2. Natal chegando, eu sem tempo e sem dinheiro, resolvi fazer algumas das minhas compras na internet. Um livro pra mãe, um dvd pro pai e, como minha irmã havia se interessado estranhamente pelos filmes do Harry Potter, decidi por dar de Natal a coleção dos livros.

Fiz a pesquisa padrão: Submarino e Saraiva. Depois Americanas e outras dessa estirpe, mas nesse caso específico, acabei fechando com o Submarino.

Compra aprovada em 2 de dezembro, previsão de entrega em 17 de dezembro. O prazo era longo, mas achei por bem fingir de bobo, mesmo porque presumi que nessa época o fluxo de compras/entregas deveria ser muito maior do que o normal.

Sou acostumado a comprar nas lojas citadas e, em geral, o prazo é grande quando me pedem 5 ou 6 dias úteis. Demorou mas chegou, após longos 9 ou 10 dias úteis. Ainda assim, menos que o prazo previsto de 17 de dezembro.

Voltando a dezembro, convenci meu pai a, pela primeira vez, fazer a compra de alguns presentes pela internet, o princípio era o mesmo que o meu. Se dirigiu ao site da HP por conta de um e-mail de propagandas recebido, encontrou dois notebooks que o agradaram e efetuou a compra: um pra minha mãe, outro pra minha irmã de 10 anos de idade.

Compra efetuada também no dia 2 de dezembro. Previsão de entrega dia 23 de dezembro, segunda feira.

Apesar da compra ter sido realizada pelo site da HP, por conta de algum convênio maligno a entrega seria realizada pelo Ponto Frio.

Quando minhas encomendas no Submarino chegaram, entre 15 e 16 de dezembro, não me recordo com precisão, o sinal amarelo apareceu na cabeça do meu pai. Isso porque o Ponto Frio não havia sequer gerado sua nota fiscal, apesar da compra ter sido aprovada em 3 de dezembro, salvo engano.

Ligamos pela primeira vez. A atendente do Callcenter foi educada, disse para ficarmos tranquilos que a entrega seria efetuada no prazo e que a nota fiscal somente seria emitida assim que o produto estivesse a caminho da transportadora. Tenho os protocolos todos anotados.

Em 19 de dezembro, uma sexta, a nota fiscal foi de fato emitida, mas como a compra havia sido efetuada através da HP, somente no site desta companhia tínhamos informações. Meu pai sequer tinha o pedido registrado em seu login no site do Ponto Frio. Entramos no site da HP, verificamos a informação sobre a nota e nos tranquilizamos.

Na segunda, 22, entrei em contato novamente com o Ponto Frio via 0800. Questionei mais uma vez se a entrega aconteceria no prazo, porque até aquele momento a informação era de que os produtos seriam encaminhados à transportadora e, numa conta rápida e conhecendo da mecânica dessas entregas, por óbvio a remessa seria para uma central em SP que, em um ou dois dias, despacharia pra cá e, com sorte, tão somente três dias após o recebimento pela transportadora sairia na rota pra cá.

Quando chegou no dia 23, perdi a paciência. Liguei mais uma vez pro 0800, questionei e fui respondido pela atendente, em nova oportunidade, que o prazo seria cumprido. Não acreditei. Dito e feito, não chegou.

Resultado dessa confusão toda é que após nova resposta do Callcenter no sentido de que seria entregue no dia 24, já com atraso de um dia, me dirigi ao Twitter e mandei uma mention ao @pontofrio. 

E aqui começa o ponto nevral do post.

Confesso que já estava nervoso, impaciente. Mas mantive a educação. Questionei ao Twitter oficial da empresa qual a história que deveria contar pra minha irmã de 10 anos de idade que ficaria sem presentes no Natal porque eles não conseguiram cumprir o prazo estabelecido.

A resposta da loja era sempre que iria verificar, que eu mandasse meus dados via DM que tudo se resolveria. Até tentei a tática da DM, mas ele me encaminhou em uma oportunidade um 0800 (aquele que eu já havia ligado mil vezes!) e um número fixo de SP que, apesar das minhas tentativas, hora não atendia, hora caía em outro setor que não poderia resolver meu problema.

Por fim, achando que meu problema era financeiro, me ofereceu um vale compras no valor de 10% do que meu pai havia gasto! Simples resolver o problema assim, mas e a compra não entregue? E o prazo desrespeitado? E o presente da minha irmã que não poderia ser entregue no Natal?

Pelo andar da carruagem, vimos que não seria entregue. Nos dirigimos a um shopping e tentamos de todas as maneiras retirar os produtos na loja física do Ponto Frio. Apesar de termos achado os mesmos notebooks, nos informaram que loja física e online eram independentes e que eu teríamos de pagar DE NOVO pelos notebooks pra poder levá-los embora. À vista ou em 3 ou 4 prestações, não me recordo.

Acabamos comprando outra coisa pra ela, parcelei no meu cartão em perder de vistas e, apesar da frustração que ela passou por já estar esperando no notebook, o pior nem era isso. Era a cara do meu pai, trabalhador que só queria fazer um agrado à filha e não pôde por conta da incompetência de uma das maiores lojas do Brasil.

O questionamento que eu faço é só um: fosse um famoso fazendo o mesmo questionamento, o retorno não seria outro?

Passou da hora das empresas grandes atentarem para seus clientes. Se eu fosse um bambambam de uma empresa dessas, criaria um setor específico pra redes sociais e não um estagiário/callcenter que me vê indignado com um erro deles e, ao invés de resolver, me manda uma DM com o número do 0800. Falta proatividade e gente com poder de decisão. Me oferecer 10% de desconto num próximo pedido mexe com meu brio, é como se me tratassem como um idiota.

Tenho um amigo que comprou um carro em dezembro do ano passado e até hoje não conseguiu completar 1.000 km com ele por defeitos de fabricação. Até hoje a montadora não resolveu o problema dele.

Nós, clientes, somos tratados como descartáveis nesses tempos. Não sou especialista mas falo sem medo que estatisticamente uma pessoa está 10 vezes mais propensa a postar reclamações a elogios. Reconheço que nunca na vida fui ao Twitter elogiar o Submarino pela entrega rápida, a Saraiva pelo vasto catálogo. Mas pode ter certeza, Ponto Frio, não esquecerei.

Procurei o PROCON pra relatar o ocorrido e o atendimento desse serviço me desanimou ainda mais. Precisaria agendar uma audiência com representantes do Ponto Frio, na qual eles ofereceriam uma solução e, dependendo da minha concordância, o problema se resolveria. Como já trabalhei nisso, sei que o máximo que mandariam seria um estagiário com defesa padrão e sem proposta de acordo. Estou pensando seriamente em mandar arquivar isso e, dependendo da vontade do meu pai, procurar o Juizado pra resolver isso.

Moral da história: vou continuar fazendo compras na internet, ainda prefiro a comodidade. No Ponto Frio, não passo nem na porta de loja física mais.

PS: a compra chegou já no fim de dezembro, próximo ao dia 30. Guardo o presente pro Natal do ano que vem?

domingo, 1 de março de 2015

Sobre amor, ausência e o medo da solidão.

Fui criado com concepções ortodoxas sobre o amor. 

Pra mim, esse sentimento era uma coisa pra lá de piegas, naquele conceito de que grandes amores nascem, crescem e morrem juntos. Tudo resumido naquela infindável vida em casal - sem necessariamente ser conjugal, que fique claro, mesmo porque, amor não diz respeito apenas à relação amorosa e carnal entre homens e mulheres, mulheres e mulheres, homens e homens.  Não que piegas seja uma coisa ruim, só quis dizer que minha concepção sobre amor destoa em muito da efemeridade que minha geração lida com as coisas.

Até hoje, quando paro pra pensar em amor e relacionamentos, me vem à cabeça aquela música do Raul Seixas, "Tu és o MDC da minha vida". O amor está nas banalidades compartilhadas, nas coisas pequenas que você só compartilha com aquela pessoa. Nas pequenas lembranças, nas situações cotidianas que te fazem lembrar da outra pessoa e que, pros outros, não significam absolutamente nada.

É o que Raul diz em diversos trechos dessa música, tida por muitos como brega e uma simples brincadeira do cantor. Eu não penso assim. 

E assim tentei levar minha vida desde sempre. Que seja eterno enquanto dure é um termo que não descreve com precisão, mas indica a intensidade com que devemos levar as coisas.

Acho que a partir do momento em que você desfruta da companhia de uma pessoa, você está disposto ao pacote completo. As partes boas e as partes ruins. E é isso que a música descreve com precisão. Você sai do "não posso sentir cheiro de lasanha/me lembro logo das Casas da Banha/onde íamos nos divertir" até o "dia em que você entrou num bode/quebrou minha vitrola e minha coleção de Pink Floyd". 

E é exatamente isso. Pessoas têm problemas. Pessoas têm momentos bons. Assimilar isso é necessário. Indispensável.

O problema é que nem sempre as coisas são pra sempre. E aí vai a lição que, invariavelmente, precisamos aprender: tudo vai embora, uma hora ou outra.

Por que diabos isso seria importante? Respondo: porque, em geral, o sentimento não muda. O que muda é a sua disposição em levar aquilo adiante. Quem sente sua falta de verdade não sente mais ou menos por isso ou aquilo. Essencialmente quando falamos de pessoas que marcam nossa vida. 

Quando a pessoa é realmente importante pra você, não é o fato de estar sem ela que impede de se lembrar. Pelo contrário. Quando é marcante, todo e qualquer lugar te remete àquela relação. Sejam lembranças boas, ruins ou banais. Como dito antes, da lasanha que lembra momentos bons, à briga que resultou na quebra da vitrola. Até um simples chaveiro, como diz a música. Pra quem está de fora, nada disso é marcante (talvez apenas pra dar aqueles conselhos de "se separa dessa louca, olha o que ela fez com tua vitrola!"), mas pra quem vive... Não tem como se desligar dessas lembranças e, fazê-lo, creio, não seria nem ao menos saudável.

Volta e meia uma pausa pode até ser importante pra não deixar aquilo morrer.

Até por isso, penso que a ausência pode ser importante. Desapegar, ainda que por pouco tempo. Lembrar de uma situação pode ser melhor do que simplesmente tolerar aquilo por muito tempo, até mesmo pra te ajudar a ter outra perspectiva sobre as coisas. Mesmo porque, muitas pessoas precisam daquilo que se chama "ficar sozinho". Ficam sozinhos até perceberem o quão supervalorizavam a solidão. Ou não, e aí está um grande risco.

Ignore a solidão, conviva ou até desfrute dela. A escolha é sua. Mas saiba aproveitar esses momentos, até porque as inseguranças, medos, brigas sempre vão existir. Faça digestão dos momentos bons, aquelas lembranças que embargam sua voz e te remetem ao que realmente vale a pena. Saber pesar isso é indispensável na vida a dois. Mas também reviva os momentos ruins, eles acrescentam mais do que podemos imaginar.

Sinta falta, lembre-se dos momentos bons, mas também daqueles ruins. Porque é exatamente a soma de bagagens de uma relação que a leva ao ponto de ser marcante. Esqueça tão somente das interferências externas: esse aprendizado tem de ser seu. Não é substituindo alguém que você vai conseguir superar nada. Nada na vida é simples assim e pessoas não são descartáveis, embora se tratem assim.

Viva na intensidade das coisas. Certo que a espera será recompensada. Viva aquilo e não se arrependa, já que não sabemos do amanhã, de como diabos as coisas vão ser. 

Na maioria dos casos, não sabemos nem mesmo o que queremos.

Fica de bônus a inspiração: Tu és o MDC da minha vida - Raul Seixas

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O preço da tradição.

Fato notório pra todos que me conhecem: amo futebol. Mais notório ainda é o quanto eu odeio o futebol moderno.

Jogadores que fazem uma ou duas boas temporadas (quando muito) e na primeira proposta que recebem pra jogar no Leste Europeu aceitam. Jogam lá por uma (ou meia) temporada e aparecem desesperados na porta dos maiores times do país implorando por um retorno.

Entendo que é uma característica inerente à profissão, o tempo curto de carreira e a necessidade de se fazer o máximo de dinheiro em tempo mínimo. Mas acho errado.

Acho que acima do time que dá espetáculo, que vence títulos, que desperta inveja, existe o time tradicional, que representa a paixão de um povo. É por isso que vez ou outra tenho algumas brigas gigantes com amigos de Recife, que teimam em torcer para times de SP e RJ. Claro que são times "melhores", com elencos mais caros e talentosos... Mas o que é o futebol além do expoente máximo do povo que representa? O que são os torcedores além do motivo pelo qual o time TEM de vencer? E qual a maior identificação da torcida senão ir ao campo, torcer e ver o time do coração jogando? E o mesmo pros jogadores, qual a graça de jogar em um lugar sem torcida?

No mundo de hoje ligado essencialmente no dinheiro, e não falo só do futebol, é cada vez mais difícil vermos identificação de qualquer pessoa com alguma coisa.

Isso acontece na Espanha. Ou melhor ainda, no País Basco.

A região basca tem cultura própria (inclusive um idioma único) e sustenta, desde meados do século XX, um movimento nacionalista, encabeçados principalmente pelo grupo separatista ETA (na década de 1980, com a "nova" Constituição Espanhola, a região conseguiu uma grande autonomia e as lutas armadas, em sua maioria, deram lugar a organização política, apesar de alguns remanescentes do ETA continuarem usando da violência).

Um dos times mais tradicionais da Espanha, o Athletic (Atlético de Bilbao, como é conhecido aqui nas terras tupiniquins), é um dos simbolos mais emblemátios da luta do povo basco. O estatuto do time simplesmente não permite que atletas não nascidos ou crescidos no País Basco vistam suas camisas (até onde vi uma vez, estrangeiros sem raízes bascas são permitidos, desde que tenham sido educados na cultura basca - difícil entender o conceito de "educado na cultura basca", desculpe). Você já imaginou o Grêmio jogando apenas com atletas gaúchos? Ou o Atlético só com Mineiros?

Essa introdução (gigante) veio só por um motivo: a tradição do Athletic, iniciada em 1911, continua até hoje... Ou seja, apesar de ter (sim!) dinheiro pra contratar grandes jogadores, o Athletic nunca gastou 20 milhões de euros pra contratar jovens estrelas dos países sulamericanos. Pelo contrário, o clube geralmente só vende... E emprega o dinheiro diretamente nas categorias de base.

Recentemente (na verdade, em 2005) o clube revelou um dos maiores jogadores de sua história, o atacante Fernando Llorente (atacante inclusive da seleção espanhola), que jogava no clube desde os 11 anos de idade.

O sucesso inevitavelmente despertou a atenção dos gigantes europeus e, desde a Copa de 2010, não foram poucas a proposta por "El Rey León", como Llorente é conhecido. O Clube, sabendo de suas limitações estatutárias, simplesmente abriu mão de vender e embolsar uma pequena fortuna (pelo estatuto, o Clube só aceita venda pelo valor previsto na cláusula de rescisão, cerca de 22 milhões de euros no caso), uma vez que encontrar um atleta com as qualidades de Llorente já é difícil, encontrar limitado ao universo de nascidos na região basca é praticamente impossível.


O Clube, sempre fiel às origens, segurou enquanto pode... Até o fim do contrato.

Fernando anunciou esta semana sua transferência para a Juventus, da Itália. O Athletic saiu de mãos abanando.

É o preço da tradição.

domingo, 7 de outubro de 2012

4 anos.

Sério, quatro anos de blog.

Se tem alguém que lê isso, obrigado.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Psy x Teló.

Então que na época que o tal do Michel Teló estourou na gringolândia (e não estou falando de México, Paraguai e Argentina) a galerinha do mal toda falou: "que absurdo, olha a visão que as pessoas lá fora tem do Brasil, um país com grandes compositores como Mc Serginho, Latino, Belo Chico (o Science, por favor) e Renato Russo é conhecido lá fora por conta desse lixo musical e blablabla". Conheço muita gente que falou isso e, confesso, em certos momentos eu mesmo pensei assim.

Pois é, eis que essa semana me peguei pensando... E o Psy?

"Acima do homem que corre está o homem que voa."
O cara invadiu o mundo com uma música num idioma que absolutamente ninguém entende, com roupas e uma dança igualmente ridiculas e simplesmente fez o maior sucesso dos últimos anos (ao menos na internet).

Aqui no Brasil fez um grande sucesso, sobretudo em blogs e afins... Hoje é possível vermos em sites de consulta de letras de música que ela é a mais procurada.

http://letras.mus.br/ em 05 de outubro de 2012.
Tá certo. Em que nosso lixo é pior que o deles?

Absolutamente em nada.

Ambas as letras são idiotas e extremamente viciantes, daquelas que grudam na cabeça sem menor esforço e tirando os compatriotas, ninguém entende a letra. Essa mistura é mais que o necessário.

As duas têm, também, danças idiotas e extremamente simples. Até eu, sem talento algum, me arriscaria dançando elas algum dia. Tá, talvez não...

São músicas extremamente toscas. Toscas no sentido de simples, nada conotativo, claro.

Dois caras da perifieria do mundo (pense grande, Gafanhoto!) estouraram lá fora (Europa e EUA, principalmente) cantando músicas que até crianças de 8 anos (ok, 10) fariam.

Será que os coreanos estão rindo da gente cantando "Keopi hanjanui yeoyureul aneun pumgyeok issneun yeoja" do mesmo jeito que ríamos dos gringos cantando "Ai se eu te pego"? Claro, estou falando antes do "Oh if I catch you".

Taí, achei a diferença. O Psy não precisou mudar o idioma (apesar das versões que existem por aí) pra estourar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sobre o tempo.

"Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei... Pra você correr macio".

Tempo é uma coisa muito relativa. Você pode passar 5 anos num lugar e não se sentir confortável e, por outro lado, estar em outro há poucos meses e se sentir incrivelmente bem.

A variabilidade do tempo é bem relativa.

Tem quem diga que as coisas boas duram o suficiente pra se tornarem inesquecíveis e é bem assim mesmo. Quando era criança, via aquele domingo passar voando e a semana se arrastar... No primeiro caso, a hora levava segundos e no segundo... Os segundos levavam horas. 

O minuto é, por vezes, um segundo, um mero piscar de olhos. Às vezes ele vai tão rápido que nem percebemos que passou. Noutros, parece ser uma hora. Parece que leva uma eternidade.

Essa relatividade mostra tanta coisa... Mostra que o que é bom pode também durar, tanto quanto aquela hora ruim que se arrasta.

A questão não é deixar de viver, muito pelo contrário. A melhor maneira de fazer com que o momento se prolongue, o segundo dure hora, é aproveitar ao máximo. A vida, o momento, a companhia...

Não adianta dar um passo maior que a perna. Não adianta comer migalha quando se tem vontade de quilo. Adianta suprir o que você deseja. Aceitar a fatia que lhe é destinada.

É isso. Viver intensamente cada momento, bem carpe diem mesmo.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Privatização.

Então que esta semana um amigo postou algo como se crucificando as privatizações, sob argumento de que "é tão bom que vivemos tendo problemas, principalmente na telefonia".

Ok, o serviço das telefônicas é ridículo no Brasil.

Por culpa da falta de fiscalização.

A única diferença dos serviços públicos e privados é que, no caso dos privados, continuamos tendo opções de mudança. Se a Oi é ruim, podemos tentar a Tim, depois a Claro, Vivo e aí sim, determinarmos que o serviço é ruim com todas. Caso o controle seja estatal, sem chances.

Se você analisar, até 6 ou 7 anos atrás só existia o serviço de telefonia fixa e internet banda larga da Telemar/Oi. Os preços da banda larga eram astronômicos (pagava-se, à época, cerca de R$ 100,00 mensais por velocidades ridículas de no máximo 1mb). Foi permitir a entrada de outras empresas no mercado e o valor dos serviços despencou e a qualidade subiu, apesar de ainda estar longe do ideal.

Qual seria o futuro se a telefonia estivesse inteiramente nas mãos do controle estatal?

E é esse meu ponto de vista. As empresas privadas tendem (disse, TENDEM) a ser mais competitivas pelo simples fato de que se assim não forem, somem. As estatais tem o aporte garantido em caso de crises e, hora ou outra, passam nas mãos de famílias poderosas e políticos de influência, virando por vezes, não mais que cabides de empregos.

Metralham o governo passado por ter aberto o país para as privatizações, mas há de se ponderar que empresas competitivas como a Vale e a Embratel, por exemplo, precisam de administração especializada e não são geradoras de lucro por si só: apresentam riscos (como a Vale tem demonstrado).

Sejamos francos, tirando alguns casos, alguém ainda acredita que o Governo sabe lidar com essas coisas? Só vermos quantas denúncias de nepotismo e afiliações temos diariamente pra entender que as estatais não só seriam cabides de empregos como denotariam fortemente "marcos" de campanha eleitoral.

E ah, antes que me esqueça: o mesmo governo que ataca as privatizações tá aí anunciando incentivos a concessionárias para construção de pedágios (ótima ideia, porém hipócrita).