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domingo, 24 de maio de 2015

Resenha Atlético Paranaense x Galo - 24-05-2015

Pré-jogo:
Começamos a partida com a manutenção daquela escalação ousada do Levir. Aliás, ousada não, porque a mediocridade de uns anos atrás fez do atleticano prudente em excesso. Todos os times campeões nos últimos anos usam e abusam dos jogos fora de casa porque é esse o diferencial e o elenco do Galo tem demonstrado que o objetivo de 2015 é o sim o Brasileiro.

Ao escolher pela manutenção de Carlos na vaga de Leandro Donizete a proposta era clara: iríamos pra cima em busca dos três pontos.

A escalação foi a mesma da última rodada: Victor; Patric, Léo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca, Dátolo, Luan; Carlos, Pratto e Thiago Ribeiro.


O jogo: 
E assim começou... Galo pressionando, marcando em cima e sufocando o adversário.

Ainda assim começamos com um susto, num erro bizonho de Luan que tentou virar o jogo e acertou um passe pro adversário. Victor já demonstrou ali a partida segura que faria, salvando mesmo com a marcação de impedimento pelo árbitro.

Logo em seguida, tivemos três boas finalizações de Lucas Pratto que, embora não tenham sido lances fáceis de guardar, a bola só não entrou por excelentes intervenções do goleiro Weverton.

O Galo continuou pressionando, girando o jogo quando necessário, abusando das laterais e demonstrando mais uma vez que enquanto Marcos Rocha não voltar teremos um longo período de provação em que será indispensável muita paciência. Perdemos mais uma oportunidades em chutes de Thiago Ribeiro e Dátolo, que abusou ao tentar encobrir o goleiro, além de uma boa cabeçada de Carlos que terminou em mais uma defesa de Weverton.

No momento em que a postura de mandante do Galo dava sinais de que bastava tempo pro gol sair, uma jogada nas costas do Patric (mais uma) resultou em gol. Nikão (lembra dele?) foi à linha de fundo e cruzou rasteiro, contando com a chegada surpresa de Douglas Coutinho que não perdoou. Indefensável pro Victor, mas um lance de cochilo da defesa que era perfeitamente evitável.

Fim do primeiro tempo registrava um placar na minha opinião injusto mas que não era necessariamente surpreendente.

No intervalo, Levir entendeu pela ausência de um organizador em campo e optou pela saída de Carlos para entrada do Giovanni Augusto que, apesar de ainda não ter sido efetivo desde que voltou, mostra ter muito crédito com o treinador. Assim como ele, Dátolo que vinha em mais uma partida apagada mostrou ser praticamente intocável ali no meio campo.

A postura do time mudou pouco com a entrada do armador, permanecendo apenas a insistência em perder gols. Pratto mais uma vez, Luan, Dátolo, Douglas Santos... Ninguém acertava e a pressão não surtia efeitos.

De positivo, até aquele momento, a praticamente nula presença ofensiva do rival, o que mesmo assim não impediu alguns erros esquisitos na defesa que não deixam de chamar atenção. Foram necessárias duas ou três intervenções de Victor a fim de impedir contra golpes perigosos dos paranaenses, nos moldes de Manuel Neuer. Quem mais preocupava era Walter, como já esperado, eternamente fora de forma mas tecnicamente superior à maioria em campo.

O Galo ganhava o meio campo mas não traduzia o domínio em gols. O time acuava o rival, criava, chegava com facilidade, mas não concluía. E quando o fazia, faltava capricho.

O 1x0 persistia no placar, o torcedor ficava cada vez menos esperançoso e o que parecia ser questão de tempo não aparecia.

Aos 25 minutos, Levir optou por colocar Jô na vaga de um apagado Thiago Ribeiro, apostando na dupla Pratto e Jô, uma tentativa que já tinha se mostrado acertada em outros jogos. Logo no lance seguinte à alteração Dátolo apareceu de surpresa na área e, completando cruzamento de Patric, acertou um belo voleio que acabou passando por cima do gol.

A pressão continuava e Pratto acabou demorando muito pra finalizar num contra-ataque, sendo desarmado nos momentos finais pelo lateral Natanael. 

Levir tentou de novo com a entrada de Maicosuel na vaga de um exausto Luan que esteve longe de ser efetivo.

30, 35, 40, 45 minutos. O Galo pressionava mas pouco finalizava e o jogo se arrastando para um final melancólico, com o rival abusando da cera. Nesse ínterim mais posse de bola pro Galo e menos produção ainda. De se destacar a expulsão impensada do Walter, manchando uma ótima atuação.

Nada feito, fim de jogo com derrota injusta pelo domínio e justa pela ineficiência.


Pós-jogo:
A Arena da Baixada sempre foi muito dual pro atleticano. Péssimas lembranças com algumas goleadas, mas também uma classificação heroica na Libertadores de 2000 (num ensaio do que o "Eu acredito" viria a significar).

Das boas lembranças que me vem à cabeça está aquele jogo em 2009, quando um Galo desacreditado e em reformulação impôs um 4x0 aos paranaenses que pouco puderam fazer a não ser lamentar. Se aquele time comandado por Celso Roth pode nos ensinar alguma coisa é que chance criada deve ser aproveitada. O Galo dominou aquele jogo no meio campo, impôs muita pressão com a velocidade de Tardelli e Eder Luiz, contou com um Junior inspirado e um promissor Marcos Rocha na direita, que sequer imaginava ser titular. Mas não se deu ao luxo de perder uma infinidade de gols como hoje.

Claro que naquela oportunidade fizemos uma grande campanha, sobretudo se analisarmos o elenco no papel e os ótimos jogos em cerca de 70% do certame. Aos poucos a qualidade individual começou a pesar e vimos que, com todo respeito, um time com Carlos Alberto, Márcio Araújo, Jonílson e afins dificilmente renderia algo melhor que uma briga (bem suada) pela Libertadores.

Voltando ao time de hoje temos um Atlético de qualidade inquestionável. Voltamos a ter um grande elenco no papel, mas que já demonstrou em campo do que é capaz. Em geral, quando exigido o corresponde e coloca nas quatro linhas aquilo que esperamos deles. Se não dá na técnica, como foi nos dois jogos da final da Copa do Brasil, vai com o coração, como nos memoráveis confrontos com Corinthians e Flamengo, também naquele torneio.

O que não dá é pro Atlético se dar ao luxo de perder gols e desperdiçar pontos. Não deixa de ser estranho como um time sai de uma partida genial pra outra tão ineficaz. Não adianta nada ter posse de bola, dominar o jogo e voltar com a derrota pra um time que, ao que parece, vai brigar contra o rebaixamento.

É errado afirmar que todo jogo na Arena da Baixada vai ser fácil, mas hoje era esta a realidade. Estádio vazio, torcida se manifestando pouco, contra um time que brigou pra não cair no estadual. O Atlético tinha totais condições de se impor em campo e sair de lá com os três pontos.

E deu sopa pro azar, mais uma vez.

Ouvimos as entrevistas dos jogadores e do Levir Culpi pós Atlético x Fluminense e nos deparamos com um raciocínio só: dá pra sermos campeões. Pra isso precisamos de seriedade e foco, coisa que faltou hoje contra o Atlético-PR. Tomemos como exemplo a eliminação na Libertadores desse ano, quando jogamos muito mais que o Internacional nos dois jogos mas eles foram excessivamente eficientes, marcando gols estratégicos que minaram o Galo e encaminharam uma classificação relativamente tranquila.

Pro próximo jogo? Obrigação de vencer em casa o Vasco, esperando pela boa vontade do Levir em escalar o Guilhermeg e confiar na rápida recuperação do Marcos Rocha, peça fundamental no time.  Dátolo continua devendo, apesar da boa partida contra o Fluminense. Além disso, o time precisa concretizar a vontade de ser campeão tão externada nas entrevistas da semana passada com futebol e vontade em campo.

Ficha técnica:
Atlético-PR 1 x 0 Galo
3ª Rodada do Campeonato Brasileiro
Data: 24/05/2015
Horário: 16 horas
Estádio: Arena da Baixada
Cidade: Curitiba/PR
Público pagante: 13.510
Renda: R$ 157.632,81

Gol: CAP: Douglas Coutinho (39')
Árbitro: Thiago Duarte Peixoto (Asp. FIFA/SP)
Auxiliares: Daniel Paulo Ziolli (Asp. FIFA/SP) e Alex Ang Ribeiro (CBF-2/SP)
Cartões amarelos: Otávio, Weverton, Douglas Coutinho (CAP)

Escalações:
Atlético-PR
Weverton; Eduardo, Gustavo, Kadu e Natanael (Paulinho Dias); Otávio, Hernani, Felipe e Nikão (Guilherme Arana); Douglas Coutinho (Dellatorre) e Walter.
Técnico: Milton Mendes.

Galo
Victor; Patric, Léo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca, Dátolo, Luan (Maicosuel); Carlos (Giovanni Augusto), Lucas Pratto e Thiago Ribeiro (Jô).
Técnico: Levir Culpi.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O preço da tradição.

Fato notório pra todos que me conhecem: amo futebol. Mais notório ainda é o quanto eu odeio o futebol moderno.

Jogadores que fazem uma ou duas boas temporadas (quando muito) e na primeira proposta que recebem pra jogar no Leste Europeu aceitam. Jogam lá por uma (ou meia) temporada e aparecem desesperados na porta dos maiores times do país implorando por um retorno.

Entendo que é uma característica inerente à profissão, o tempo curto de carreira e a necessidade de se fazer o máximo de dinheiro em tempo mínimo. Mas acho errado.

Acho que acima do time que dá espetáculo, que vence títulos, que desperta inveja, existe o time tradicional, que representa a paixão de um povo. É por isso que vez ou outra tenho algumas brigas gigantes com amigos de Recife, que teimam em torcer para times de SP e RJ. Claro que são times "melhores", com elencos mais caros e talentosos... Mas o que é o futebol além do expoente máximo do povo que representa? O que são os torcedores além do motivo pelo qual o time TEM de vencer? E qual a maior identificação da torcida senão ir ao campo, torcer e ver o time do coração jogando? E o mesmo pros jogadores, qual a graça de jogar em um lugar sem torcida?

No mundo de hoje ligado essencialmente no dinheiro, e não falo só do futebol, é cada vez mais difícil vermos identificação de qualquer pessoa com alguma coisa.

Isso acontece na Espanha. Ou melhor ainda, no País Basco.

A região basca tem cultura própria (inclusive um idioma único) e sustenta, desde meados do século XX, um movimento nacionalista, encabeçados principalmente pelo grupo separatista ETA (na década de 1980, com a "nova" Constituição Espanhola, a região conseguiu uma grande autonomia e as lutas armadas, em sua maioria, deram lugar a organização política, apesar de alguns remanescentes do ETA continuarem usando da violência).

Um dos times mais tradicionais da Espanha, o Athletic (Atlético de Bilbao, como é conhecido aqui nas terras tupiniquins), é um dos simbolos mais emblemátios da luta do povo basco. O estatuto do time simplesmente não permite que atletas não nascidos ou crescidos no País Basco vistam suas camisas (até onde vi uma vez, estrangeiros sem raízes bascas são permitidos, desde que tenham sido educados na cultura basca - difícil entender o conceito de "educado na cultura basca", desculpe). Você já imaginou o Grêmio jogando apenas com atletas gaúchos? Ou o Atlético só com Mineiros?

Essa introdução (gigante) veio só por um motivo: a tradição do Athletic, iniciada em 1911, continua até hoje... Ou seja, apesar de ter (sim!) dinheiro pra contratar grandes jogadores, o Athletic nunca gastou 20 milhões de euros pra contratar jovens estrelas dos países sulamericanos. Pelo contrário, o clube geralmente só vende... E emprega o dinheiro diretamente nas categorias de base.

Recentemente (na verdade, em 2005) o clube revelou um dos maiores jogadores de sua história, o atacante Fernando Llorente (atacante inclusive da seleção espanhola), que jogava no clube desde os 11 anos de idade.

O sucesso inevitavelmente despertou a atenção dos gigantes europeus e, desde a Copa de 2010, não foram poucas a proposta por "El Rey León", como Llorente é conhecido. O Clube, sabendo de suas limitações estatutárias, simplesmente abriu mão de vender e embolsar uma pequena fortuna (pelo estatuto, o Clube só aceita venda pelo valor previsto na cláusula de rescisão, cerca de 22 milhões de euros no caso), uma vez que encontrar um atleta com as qualidades de Llorente já é difícil, encontrar limitado ao universo de nascidos na região basca é praticamente impossível.


O Clube, sempre fiel às origens, segurou enquanto pode... Até o fim do contrato.

Fernando anunciou esta semana sua transferência para a Juventus, da Itália. O Athletic saiu de mãos abanando.

É o preço da tradição.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Atleticano e a sorte.

Se tem uma coisa com a qual o Atleticano (assim mesmo, com maiúscula) não pode contar, nunca (mas nunca mesmo) é com a sorte. Tem aquela máxima que diz que se o pão cair, ele vai cair com a manteiga pra baixo... Tenho certeza que esse estudo empírico teve como objeto um, ou vários, Atleticanos.

Quis a sorte (ou a falta dela) que o Atlético dominasse o futebol brasileiro entre os idos de 77 e 80 e poucos e não conseguisse título nacional algum. Ora, é esse o time que chegou em catorze semifinais do Brasileiro pra conseguir vencer apenas um? Ou é o único time vice-campeão nacional invícto (do mundo, me arrisco a dizer)?

Existem coisas que só acontecem com o Atlético.Sou capaz de falar que o Atleticano é aquele ser preparado para o pior sempre. Bom, eu sou assim, pra mim o copo está sempre meio vazio. 

O Atleticano é sempre adepto a estatísticas, deveríamos todos ser matemáticos. Se a chance de dar errado é de 0,5%, amigo, essa chance existe e hora ou outra vai dar as caras.

E acho que é isso que nos fortalece. Na hora do aperto, o Atleticano não pode contar com mais ninguém: só com os outros Atleticanos. Esse é nosso diferencial... É o que faz com que você tire forças de onde não existe.

É uma condição sui generis: o Atleticano tem muito mais que um time, tem um laço. Laço que faz com que pessoas que nunca se viram, de diferentes classes e níveis sociais, se tornem melhores amigos, ainda que por apenas 90 minutos.

Temos hoje 13 rodadas do campeonato Brasileiro, 10 vitórias e um time que está finalmente jogando bola. Se vai dar certo ou não, impossível dizer, pelo menos por agora.

O meu conselho, amigo Atleticano, é que você aproveite o momento. Não esbanje, não seja arrogante, não deboche. Seja mineiro, porque é assim que somos.

Mas não comece agora a contar com a sorte porque ela jamais sorrirá pra gente. Vamos continuar contando com a competência e pronto. E nunca, nunca mesmo, deixe de acreditar naqueles 11 escolhidos.

O terreno está preparado.

domingo, 3 de junho de 2012

A vida pune.

Em uma das franquias mais clássicas do cinema, Sylvester Stallone viveu um lutador de boxe daqueles bem clássicos, realmente com perfil de vencedor de filmes.

Um cara limitado tecnicamente mas com grande coração, vencia as lutas geralmente buscando aquele algo a mais, na raça.

Teve uma carreira vitoriosa, chegando ao auge sendo campeão mundial. Mas também viveu o declínio, sem dinheiro e voltando a morar em casas humildes.

Nessa última fase, marcada pelo fim da carreira do Italian Stallion, foi desafiado por um jovem campeão, um rapaz arrogante que achava ser melhor que todo mundo. Esse é o roteiro do 5º filme da série, chamado Rocky V (note que criatividade não é o forte do Stallone).

Recentemente, foi lançado o sexto filme da série, chamado Rocky VI Balboa e mostra a vida do personagem principal depois de realmente ter abandonado a carreira e sendo desafiado novamente por um campeão em grande fase.

Não, eu não vou fazer uma resenha da série, apesar de gostar bastante dela (sobretudo o Rocky IV que mostra toda aquela briguinha EUA x URSS).

Estou aqui pra falar do nosso lendário Acelino "Popó" Freitas. Aquele cara que fez com que parte do país voltasse a acompanhar boxe, assistindo lutas na madrugada e se vangloriando de ganhar todas as lutas de locaute (sic) e raramente chegar no décimo rond (sic²).

O cara teve uma puta carreira. O cartel dele é invejável, ainda que em alguns momentos tenha procurado lutas fáceis descendo de categoria. São 41 lutas, 39 vitórias (33 por knockout) e apenas duas derrotas, cartel este que permitiu a ele ser campeão mundial por quatro vezes, nos pesos leve e super pena.

Após aposentado, Popó seguiu parte de ex-atletas e entrou na brincadeira da política, sendo eleito (após desistência de outro candidato) deputado federal pela Bahia.

Recentemente, entrou na vida de Popó o roteiro de Rocky.

Foi desafiado por um campeão mundial, o brasileiro radicado nos EUA Michael Oliveira. O jovem, que vinha invícto, começou a falar mal de Popó abertamente na imprensa e lançou o desafio: queria derrotar Popó.

Claro que pra ele, que ne época quase ninguém conhecia, a luta seria uma ótima oportunidade. Enfrentaria um grande ídolo e alavancaria a carreira. Mais, pegaria Popó sem treinar, aposentado e quase 15 anos mais velho.

Popó não só aceitou como derrotou ontem, num cassino em Punta del Este, Uruguai e botou um ponto final na sequência invícta do desafiante.

A vida pune.

Um ótimo encerramento de carreira para Popó que agora volta, ou ao menos deveria, suas atenções exclusivamente para a política.

Uma pena, entretanto, que em 2004 o Eder Jofre não tivesse condições de lutar quando o mesmo Popó gritou pra todos os lados que estava acima de todos, inclusive do próprio Jofre. 

 Adoraria ver o Jofre derrubando o Popó.

O vídeo da luta do Popó ontem está disponível na Globo.

domingo, 27 de maio de 2012

Motivos para assistir (e acompanhar) MMA.

Ultimamente, o UFC tem dividido as atenções dos brasileiros com o futebol, coisa que até pouco tempo atrás esporte algum conseguiu.

Tivemos a fase vencedora do volei e da ginástica olímpica, mas acho que o brasileiro ainda é muito resistente com esses esportes... Então não considerarei.

Pra quem ainda não acompanha, vou listar cinco motivos para o MMA/UFC ser o esporte que mais cresce no mundo, principalmente aqui, na Republiqueta de Bananas que vivemos.

I - As grandes rivalidades.
O UFC envolve rivalidades talvez até maiores que no futebol. De certa maneira, isso é óbvio, porque o cara que é seu rival, é seu inimigo. Se você der mole ele VAI te partir em dois.

Se isso não aflora rivalidades, o que mais?

Vou listar aqui algumas das mais clássicas.


Silva x Sonnen
Todo mundo sabe que o Anderson Silva é o maior campeão do UFC de todos os tempos. Tem um cartel invejável e é o detentor do título dos pesos médios desde 2006. Sonnen é um bom lutador, mas que nunca teve uma carreira realmente expressiva (prova disso é o card relativamente apertado, com 11 derrotas em 39 lutas). A rivalidade dos dois começou no UFC 117, quando Sonnen desafiou Spider pelo cinturão.

Todo mundo apostava como cartas marcadas a grande superioridade do brasileiro, mas o que ocorreu foi o oposto. Sonnen se impôs e dominou os 5 rounds. Não contava, entretanto, com um golpe de mestre do Anderson Silva, que acabou vencendo a luta por finalização, com um incrível triângulo.

Polêmicas a parte (Sonnen foi pego no dopping após a luta e Spider lutou com duas costelas trincadas), a luta entrou para a história como um dos maiores duelos do MMA.

Mas só estava começando. Sonnen passou a criticar Silva abertamente, provocando de todas as maneiras possíveis, inclusive ofendendo os brasileiros e a família de Silva.

O tira-teima entre os dois já está marcado: UFC 148.


Belfort x Wand 
Tudou começou em 1998, quando ambos eram apenas apostas do MMA brasileiro. A luta entre os dois em São Paulo prometia ser um grande duelo, mas durou apenas 44 segundos.

Num dos knockouts mais emblemáticos da história do UFC, Vítor "The Phenom" Belfort partiu pra cima do Cachorro Louco e a luta acabou.

Depois disso, continuaram suas carreiras e atingiram grande sucesso, sobretudo Wanderlei que se tornou uma lenda no Pride, evento japonês de MMA. Vítor passou por maus momentos pessoais com o desaparecimento de sua irmã, mas recentemente voltou a competir em alto nível e é tido como um dos lutadores mais completos da atualidade.

A rixa entre os dois voltou à evidência com o The Ultimate Fighter (TUF) Brasil. Ambos são os treinadores da edição atual do reality show e se enfrentariam aqui em BH agora em julho, mas Belfort se lesionou durante os treinamentos e a luta foi desmarcada.

Uma pena, seria um ótimo tira-teima. Infelizmente, como ambos já tem idades avançadas, talvez ficaremos apenas na esperança de ver a luta.


Lesnar x Mir
Dois pesos pesados de respeito, Brock Lesnar e Frank Mir. Quando Lesnar chegou ao UFC, oriundo do WWE, surgiu com todo o perfil de vilão... Aquele cara com toda pinta de malvado. Mir já é famoso por gostar de falar e promover lutas, então acredito que viu nisso como uma forte concorrência.

Coincidência ou não, a estréia de Lesnar foi justamente contra Mir. Provocações intensas desde a marcação da luta... O resultado da luta foi a vitória de Mir, por finalização.

Os dois seguiram em frente e Lesnar chegou inclusive a ser o campeão dos pesos pesados.

Voltariam a se enfrentar pelo cinturão e, nesta oportunidade, Lesnar destruiu Mir. Foi um verdadeiro massacre. Ainda no octógono, depois da vitória de Lesnar, os dois quase sairam novamente na mão depois que começaram a se provocar, motivados pelo estilo bad boy de ambos.

Depois da luta, Mir falou por diversas vezes que queria matar Lesnar durante uma luta, afirmando categoricamente ter "ódio legítimo".

Infelizmente, o terceiro embate entre os dois não irá ocorrer, vez que Brock Lesnar se aposentou no final do ano passado e Mir vem seguindo exatamente o mesmo caminho.


Liddell x Couture 
São dois dos principais nomes do UFC, responsáveis pela profissionalização do esporte e por seu sucesso, sobretudo nos EUA. Participaram ainda da primeira versão do TUF, contribuindo ainda mais para a rivalidade.

Foram três lutas memoráveis entre os dois, com duas vitórias para Liddell e uma para o Capitão América.

A rivalidade nasceu porque quando se enfrentaram da primeira vez, Couture já estava velho, beirando os 40 anos e Liddell em plena ascensão. Ninguém esperava a vitória de Couture, mas ele nocauteou o Iceman. Depois Liddell retomou a vantagem no confronto direto, mas a rivalidade ainda existe...


Pride x UFC
Se a rivalidade entre duas pessoas já era grande, imagina entre dois eventos. A disputa dos fãs, dos lutadores...

O Pride foi um evento de MMA que ocorria no Japão. Chegou a ser, por muito tempo, o evento de MMA mais famoso do mundo, levando para as lutas sempre os melhores lutadores das categorias. Prova disso é que lendas do Pride migraram para o UFC a partir de 2007, data em que a compra do evento foi sacramentada. O evento teve grandes campões, como Fedor Emelianenko, Wanderlei Silva e Dan Henderson (esses dois últimos inclusive lutam no UFC).

Qual era a graça do Pride? Bom, de cara falo que os primeiros eventos não eram nem dividos em categoria. O Rickson Gracie, por exemplo, chegou a derrotar caras com 20-30kg mais pesados. Existiam também os Gran Prix (GP's) que eram torneios anuais, ou seja, a parada tinha uma sequência mais lógica, tipo, Fulando venceu Ciclano, então agora vai poder enfrentar Beltrano. A lógica do UFC hoje parte da cabeça do Dana White, ou seja, é guiada primeiramente pelo potencial financeiro da luta e depois pela capacidade dos lutadores (embora uma coisa esteja diretamente ligada a outra).

A principal vantagem do Pride eram as lutas mais "kamicaze" que no UFC. Eram rounds maiores, com "menos" regras... Era realmente vale-tudo.

No fim das contas, o evento mais organizado venceu, tendo inclusive incorporado o outro.


II - Possibilidades infinitas de vitória.
Outra coisa que chama bastante atenção no MMA é a possibilidade de vitória para os dois lutadores. Você percebe isso principalmente nas categorias maiores, onde um soco bem encaixado derruba qualquer um.
Já citei antes o exemplo da luta entre Silva x Sonnen. Por pouco o Anderson, invícto desde 2004, não perde para o Sonnen. Não tem como prever o resultado da luta.

Isso trás para o evento o grande apelo das apostas e também o próximo motivo...


III - Grandes eventos.
Assim como ocorre no Boxe, as lutas são grandes eventos. Não são apenas confrontos underground como você vê naqueles filmes do Van Damme. Sobretudo no UFC, as lutas são eventos que param as cidades onde se realizam. Todo mundo estará por dentro disso, ainda que não goste.

Geralmente, os eventos começam por volta das 19 horas e se estendem até 2 da manhã. São várias lutas por noite.

As lutas eram realizadas, em sua maioria, nos cassinos de Las Vegas. Atualmente, entretanto, os eventos têm ocorrido em diversos países. 

O esporte está crescendo a cada dia.


IV - The Ultimate Fighter (TUF).
Assim como ocorre em outros esportes, a força se renova anualmente. E o TUF é atualmente o maior mecanismo para isso. Trata-se de um reality show que busca lançar novos nomes para os eventos do UFC.

Funciona? Claro.

Hoje grandes lutadores são oriundos do programa.Vou listar só alguns exemplos:
Rashad Evans, Forrest Griffin, Michael Bisping, Roy Nelson, Nate Diaz e Brendan Schaub.

E a perfeita oportunidade pros novatos derrotarem os grandes existe neste tipo de evento. O cara que sai do TUF pode rapidamente chegar ao auge no UFC vencendo um cinturão.


V - Mitos.
Com grande reincidência, os atletas de MMA são equiparados a mitos. Isso ocorre pelos feitos que conseguem, sejam em sequências de vitórias, sejam por knockouts sensacionais. Sejam pela grana que consegue atrair ou pelo prazer que transmitem em suas lutas.

O Hall of Fame do UFC hoje conta com poucos lutadores, mas vários que se encontram na ativa poderiam entrar nele.

A possibilidade de ser eternizado neste Hall motiva cada dia mais lutadores. E a chance de acompanhar o crescimento de alguém, partindo do nada e chegando a tal status é um atrativo a mais.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vende-se um roteiro de filme.

Tudo, eu disse tudo, que for escrito sobre o Super Bowl XLIV (ou quarenta e quatro, caso você não manje de algarismos romanos), vai parecer chavão. Ou roteiro de um filme de Hollywood.

Se você está boiando, leia o resto.

Em meados de 25 de agosto de dois mil e cinco, a costa sudeste (?) dos EUA foi atingida por um furacão, a.k.a. Katrina. Resumidamente, caso você estivesse em coma na época do ocorrido, milhares de pessoas morreram, além de regiões se tornaram inabitáveis. O lugar mais atingido, por ironia do destino um dos mais pobres, foi o estado da Luisiana (ou Louisiana, gastando um pouquinho do meu inglês), mas eu gostaria de me reter à capital, Nova Orleans (New Orleans, de novo).

Pra quem não tiver preguiça, uma mera googleada por "Super dome" + "Katrina" já basta, mas aos leitores (existem?) do blog mais preguiçosos, vamos ao texto... Futuramente, roteiro de filme... Podem apostar.

Com a tragédia e os vários desabrigados, o estádio do time de futebol da cidade, os Saints, foi tomado como abrigo por milhares de famílias. O time, que é o famoso saco de pancadas, teve suas maiores "vitórias" na década de 80, quando chegaram aos playoffs e conseguiram em algumas oportunidades mais vitórias do que derrotas na temporada, sempre sem grandes conquistas.

E agora entra o fator Hollywood.

Como em outros filmes sobre esportes, como The Replacements (Virando o Jogo, no Brasil), unem-se um time decadente a um astro idem. E no caso, estamos falando de Drew Brees. Sem querer pagar de sabe-tudo sobre futebol americano, o que eu sei é o básico... Brees é um grande QB (quarterback, o armador do time, ou cérebro), que se lesionou seriamente e foi desacreditado. Nada melhor então, do que ir para o pior time da liga. Nessa união que se iniciou em 2006 (ou seja, depois do Katrina), Brees e Saints saíram vencendo.

A relação atingiu o ápice nesta temporada atual, que se encerrou hoje. Mais precisamente, na última hora.

Com uma vitória sensacional na final da NFC (uma das conferências da NFL) diante dos favoritos Minessota Vikings, o time avançou pela primeira vez na história da franquia ao Super Bowl. Antes que você fale qualquer coisa, eu digo que o show do intervalo desse ano no SB foi do The Who. Agora você consegue imaginar o nível do evento, certo? Ainda não é o suficiente? Ok. Então eu vou falar que é a maior audiência da TV americana e o preço de um comercial de 30 segundos é de aproximadamente US$ 3 milhões. Um bocado, né?

Voltando...

Eles iriam enfrentar os Colts, um time bem favorito liderado por um QB praticamente inquestionável, Peyton Manning (figura quase certa no Hall da Fama e recordista em diversos atributos). Conveniente, em termos hollywoodianos, certo?

Errado. Ainda falta um detalhe.

Hoje, ou ontem, sei lá, os Saints venceram. E com certa autoridade, se é possível afirmar isso em um jogo deste porte.



Fica aqui minha singela homenagem aos New Orleans Saints, campeões do Super Bowl XLIV.

Que sirva de exemplo...

quinta-feira, 26 de março de 2009

ObriGALO por existir.

O "Ser Atleticano" (Roberto Drummond)

O Atleticano é diferente de qualquer outro torcedor.
É diferente pois não se restringe a ser somente torcedor.
Ser Atleticano é como casamento.
Na saúde e na doença; nas alegrias e nas tristezas.
Mesmo quando a doença parece não ir
e as tristezas teimam em permanecer.
O Atleticano é capaz de após uma derrota humilhante
pegar a camisa no armário e sair às ruas.

Mesmo sendo alvo de piadas.
Isso porque o Atleticano não torce por um time.
Torce por uma nação.

E tal qual em uma guerra um cidadão não renega um país,
mesmo que a derrota seja grande,
o Atleticano apóia seu time na derrota.

Pois os obstáculos engrandecem
seu sentimento de nacionalismo.

E que me perdoem os que têm apenas títulos,
claro que eles são importantes,

mas o Atleticano tem algo que os outros nunca terão.
Tem a paixão.
Tem o Clube Atlético Mineiro.

Com esse texto do grande poeta mineiro Roberto Drummond,
antes de mais nada grande atleticano, eu gostaria de
homenagear o Clube Atlético Mineiro pelos seus 101 anos
de alegrias e glórias. Éramos 22, agora somos milhões.

"Somos alvinegros e apoiaremos o GALO para sempre".

ObriGALO por existir!


"O sangue preto e branco tá na veia, o time entra em campo
e a massa se incendeia.
GALO forte, Campeão do Gelo.
Sinônimo de raça Clube Atlético Mineiro."


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Listening to: Tianastácia - GALO
via FoxyTunes

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Nunca escutem seus pais.

Imaginem a cena:

Verão de 1996, eu então com 6 pra 7 anos jogando bola na casa da minha avó com meu primo. Eu acabando de garantir minha vaga na escolinha, ia pra primeira série... Minha mãe vira pra minha tia e fala: "Esse menino só quer saber de jogar bola, fica sonhando em ser jogador do Atlético... Coitado, isso não dá futuro".

13 anos depois:

Manchester City aumenta proposta, e Kaká aceita, diz jornal inglês
'
The Sun' afirma que clube pagará pelo brasileiro R$ 755,5 milhões

A volúpia do Manchester City por Kaká foi tão incessante que o jogador brasileiro não resistiu e deve ser jogador do clube inglês, onde atua outro astro da seleção brasileira, Robinho. Pelo menos é o que garante o jornal inglês "The Sun", afirmando que o clube da Inglaterra aumentou sua proposta total para ter o meia brasileiro do Milan para 243 milhões de libras (R$ 755,5 milhões), sendo que 108 milhões de libras (R$ 374 milhões) para o Milan, e recebeu sinal verde do jogador. Pela proposta inicial, o clube italiano receberia 100 milhões de libras (R$ 311,2 milhões).

Segundo o jornal, € 108 milhões (R$ 336 milhões) ficariam com o Milan e igual valor com o jogador. O restante seria pago aos intermediários do negócio que promete sacudir a Europa em plena crise econômica mundial.

Nunca crianças, digo NUNCA, escutem seus pais. Direto do túnel do tempo...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Os primórdios do futebol em Belo Horizonte e a fundação do Clube Atlético Mineiro.

Segue um texto que eu recebi no e-mail ontem, escrito por alguém com pseudônimo de Cajabis Cannabis. Fala sobre a história do futebol em BH e sobre a fundação e consolidação do Atlético como único clube de massa de Minas Gerais. É grande mas vale a pena. O link da postagem original é esse.

Os primórdios do futebol em Belo Horizonte e a fundação do Clube Atlético Mineiro.

Nos primeiros anos do século passado, BH era uma cidade com o traçado claro: a Avenida do Contorno delimitava o espaço nobre, moderno, limpo e urbano destinado às classes altas. A área periférica abrigava as classes mais baixas e não atraía investimentos públicos.

Nessa época, o futebol chegou ao Brasil como um esporte de elite. Os clubes refletiam a hierarquia social e só aceitavam como sócios ou jogadores os membros da alta classe. Havia pouca opção de lazer para os mais pobres. O Atlético Mineiro Futebol Clube foi o primeiro time da capital mineira a aceitar em seus quadros qualquer pessoa, independente de sua classe social. Por isso, esse clube pode ser considerado um dos poucos pontos de integração social da Belo Horizonte do início do século.

Falta de lazer leva a população ao futebol

Havia poucas opções lazer em Belo Horizonte no início do século e essas opções eram dirigidas à elite. O Clube Recreativo, fundado em 1894, o Hipódromo inaugurado em 1906 e as casas de diversões eram incentivados pela Prefeitura através de isenção de impostos e doações.

Por essa época, o futebol começava a se popularizar no Brasil, introduzido por Charles Miller em São Paulo. Em 1903, chegou à cidade o estudante carioca Vitor Serpa, que aprendera a jogar futebol na Suíça. No ano seguinte, Serpa começou a divulgá-lo entre alguns amigos. Em 10 de junho de 1904, Serpa e dezenas de companheiros fundaram o Sport Club Foot-ball, primeira agremiação de futebol criada em Belo Horizonte. O Clube era formado por membros da elite da capital: estudantes, funcionários públicos e comerciantes. O campo foi construído na Rua Sapucaí e, no dia três de outubro, aconteceu a primeira partida de futebol na capital, entre dois times do próprio Clube: o de Vitor Serpa e o do presidente da associação, Oscar Americano. Venceu o time de Serpa, por 2 a 1. (Na foto: José Gonçalves, fundador e jogador do Sport Club, primeiro time de futebol de Belo Horizonte)

O futebol começava a ser praticado apenas pela elite da capital mineira, tendência que se refletia em todo o país. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, os primeiros clubes (Associação Atlética Mackenzie, Fluminense Futebol Clube, Grémio Foot-Ball Porto Alegrense, respectivamente) eram times de elite, que só tinham jogadores e membros da diretoria que fossem universitários, profissionais liberais ou comerciantes. Pessoas de menor condição financeira não entravam.

Ainda em 1904 eram fundados em Belo Horizonte dois clubes: O Plínio Futebol Club e o Clube Atlético Mineiro, que não deve ser confundido com o atual. Esses clubes eram formados basicamente por estudantes. Criou-se, então, uma liga de futebol entre os três clubes e começaram a disputar um campeonato. O Sport Clube se inscreveu com dois times: o Vespúcio e o Colombo. O Atlético também se inscreveu com dois times: o Atlético e o Mineiro. O Plínio entrou no campeonato com apenas um time.

O futebol começava a se destacar entre os membros da elite belorizontina: o campeonato vinha sendo noticiado com certo destaque pelo Minas Gerais, que inclusive publicou na edição de 6 de novembro de 1904 uma tabela da posição dos clubes nesse primeiro campeonato da cidade.

Infelizmente, o campeonato não foi concluído. As chuvas do mês de novembro estragaram os campos e os jogadores, em sua maioria estudantes, entraram em férias escolares e retornaram para suas cidades de origem, já que boa parte deles vinha para Belo Horizonte apenas para estudar. Vitor Serpa retornou ao Rio, aonde veio a falecer em 1905.

Decadência e ressurgimento do “foot-ball”

A primeira experiência do futebol em Belo Horizonte foi intensa, porém fugaz. Em princípios de 1905, a cidade tinha sete associações de futebol: O Sport Club, O Estrada Futebol Clube, o Atlético Mineiro Futebol Club (novo nome do Atlético Mineiro) o Brasil Futebol Clube e o Viserpa Futebol Clube (nome homenageando Vitor Serpa). Apesar de tantos clubes, os jogos foram rareando e o interesse foi diminuindo. Todos esses clubes tiveram vida curtíssima, com exceção do Sport, que sobreviveu até 1909.

Os fãs do futebol foram ficando descontentes com a situação. O máximo que se organizava agora, eram "peladas" esporádicas. Nos encontros no Parque Municipal, os estudantes se reuniam para os passeios de domingo ou para as corridas de bicicletas, também realizadas nos fins de semana. O futebol ficou, durante algum tempo, relegado a segundo plano.

Nasce o Clube Atlético Mineiro

Em março de 1908, um grupo de estudantes se reunia, como de costume, no Parque Municipal. Liderados por Margival Mendes Leal e Mário Toledo, estavam decididos a fundar um novo clube de futebol em Belo Horizonte. Em 25 de março, os rapazes mataram aula e, numa quarta-feira ensolarada, nascia o Atlético Mineiro Futebol Clube, "para sufocar todos os outros". Seguiram-se outras reuniões, realizadas sempre no Parque, nessa época freqüentado apenas pela elite da capital.

O Atlético nasceu como sendo um time de estudantes, ou seja, da elite belo-horizontina. O que diferenciava o Atlético dos outros clubes é o fato de que, desde os primeiros tempos, seus quadros estavam abertos a qualquer pessoa. Pouco a pouco, o Atlético se firmava como o time do povo. E, em suas primeiras partidas, o time já acumulava vitórias. Em 1909, derrotou o Sport Club três vezes consecutivas, o que determinou a dissolução do time fundado por Vitor Serpa.

O Atlético cresce, junto com o futebol e a cidade

Na década de 10, Belo Horizonte tinha uma população crescendo ininterruptamente. E, graças à fundação do Atlético, o futebol na cidade ganhou um novo ímpeto. Nos três jogos disputados contra o Sport, em 1909, o público presente no campo (local onde hoje fica a Secretaria de Agricultura) foi de cerca de 3 mil pessoas, quando a capital tinha cerca de 30 mil habitantes. Nessa nova "onda" futebolística, viriam a surgir outros dois importantes clubes: o Yale Atlético Clube, em 1910, e o América Futebol Clube, em 1912. O futebol se enraizava, definitivamente, na capital.

O começo, no entanto, foi difícil. A primeira diretoria do Atlético era composta pelos próprios atletas: ao mesmo tempo que cuidavam da parte administrativa, tinham que treinar e jogar no time. Para se ter uma idéia da precariedade do clube, o Atlético ganhou da Prefeitura um terreno para construir seu campo e sede na rua Guajajaras, entre São Paulo e Curitiba. O campo não tinha mais que uns 30 metros de largura por uns 75 metros de comprimento, bem abaixo das medidas oficiais. Não havia marcas laterais e a bola saía de jogo quando rolava pelo barranco abaixo. As traves eram dois paus colocados verticalmente e o travessão era uma corda esticada. Já nos primeiros dias, roubaram as traves. Posteriormente, o Atlético passou a ocupar o campo que foi do Sport Club, ao lado da estação ferroviária.

Enfrentando tantas dificuldades numa cidade tão carente de recursos (a diretoria do Atlético teve que procurar muito para comprar uma bola, e assim mesmo tiveram que se contentar com uma usada, pois nenhuma outra foi encontrada em todo o comércio), o futebol começava a tomar gosto não só da elite, mas do povo em geral. Os jogos atraíam um crescente interesse e o Atlético já contava com uma grande torcida por motivos óbvios: dos três times da capital, o Atlético era o único clube que não impunha restrições à entrada de jogadores ou sócios. O Yale, clube da colônia italiana cuja dissidência daria origem em 1921 ao Palestra Itália, não via com bons olhos a inclusão de não italianos ou descendentes em seus quadros. E o América só aceitava estudantes ou pessoas de posse, sendo um clube altamente elitista.

Time sai invicto e conquista campeonato

(Na foto: Atlético, primeiro campeão mineiro - 1915)

Em 1914, já com o nome atual de Clube Atlético Mineiro, o time se inscreveu no primeiro torneio de futebol oficial realizado em Belo Horizonte. Invicto, conquistou o título. No ano seguinte, seria disputado o primeiro campeonato estadual de futebol em Minas e o Atlético novamente venceu. Nesses primeiros anos, o Atlético começaria a se impor como o clube mais popular da capital mineira. E é interessante constatar que, apesar de o América ter sido campeão mineiro por dez vezes consecutivas (de 1916 a 1925), o Atlético era o time que mais crescia em Belo Horizonte, sendo inclusive convidado para jogar em outras cidades, o que era bastante raro na época.

A discriminação existente nos outros clubes iria perdurar nos anos vinte e trinta. Só em 1927 o Palestra Itália permitiria o ingresso de não italianos em seus quadros como sócios ou como jogadores, mas ainda assim os não "oriundi" eram quase sempre barrados no time de futebol, dando-se preferência aos "italliani". Nos anos 30, o América ainda restringia o acesso de jogadores pobres durante os testes aos quais eram submetidos os atletas. Cidinho, o "Bola Nossa", que foi juiz de futebol nos anos quarenta, conta que, no início dos anos trinta, foi fazer um teste para conseguir entrar nos times juvenis do América e do Palestra, sendo recusado por ambos. Era pobre e não era italiano... No Atlético, foi incluído no time e foi campeão mineiro juvenil no ano de 1934.

No período de 1926 a 1939, o Atlético consolidou sua posição de maior clube de Minas Gerais e o mais popular, ganhando inúmeros títulos, inclusive o de Campeão dos Campeões do Brasil, em 1936 - e revelando craques diversos.

O Atlético ofereceu à população mais pobre de Belo Horizonte uma oportunidade de inserção no lazer da capital. Já em 1927, o jornal Vida Sportiva tecia esse comentário nada lisonjeiro sobre a popularização do futebol:

"O futebol revestiu-se, nos seus começos, de um cachet de fina elegância e alta distinção. Distinção do 'referee' (árbitro) e distinção de linguagem do cronista. Tratava-se, não há dúvida, de uma diversão de elites. Depois, dizem que o futebol evoluiu... Generalizou-se, democratizou-se, banalizou-se. E perdeu, no mesmo passo, o primitivo cunho de elegância. Enfim, evoluiu e continua a evoluir... Para o "Bambam-bam". (Jornal Vida Sportiva, de 19/11/1927)

Era um caminho sem volta. Isso porque o futebol passou a fazer parte do gosto popular e o povo já se identificava com ele. As massas suburbanas segregadas pelo Poder Público se identificaram com a agremiação que as escolhia sem fazer distinções: o Clube Atlético Mineiro.

Na foto: Atlético - final da década de 20.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Seleção do campeonato brasileiro 2008.

Hoje na comunidade do Atlético tinha um tópico sobre a seleção do Brasileiro de 2008. Tentei seguir a brincadeira, com o mínimo possível de clubismo (queira ou não, tem jogadores e times por aí que você acaba preferindo a outros...).

Victor (GRE)

Vitor (GOI)
Rever (GRE)
André Dias (SPO)
Juan (FLA)

Guiñazu (INT)
Hernanes (SPO)
Tcheco (GRE)
Alex (INT)

Keirrison (CTB)
Kleber Pereira (SAN)

Técnico: Muricy Ramalho.
Revelação: Keirrison.

Acho, sinceramente, que não tem como fugir muito disso.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

"Vamos transformar o Mineirão num inferno".

Ave Kalil!

Acho que fazia quase um ano que eu não voltava do Mineirão tão feliz. Não por ganhar do Vasco, que pra mim é chutar cachorro morto na atual situação. Mas por ver a festa da Massa. Tô com a garganta sangrando de tanto gritar e garanto que pelo menos 80% dos 42.182 pagantes que estavam lá também estão.

Foi um jogo daqueles inesquecíveis. Primeiro pela situação. Estava na faculdade até quase 21 horas, e o jogo começava às 22:00. Eu e mais um amigo "fretamos" uma carona pra nos levar lá. Chegamos eram 21:20 mais ou menos. Ingressos comprados (de arquibancada inferior), fomos tomar uma gelada pra animar. Algumas brejas depois resolvemos entrar. Nisso eram 21:45 e o portão estava fechado. Quase mil pessoas, diminuindo e muito a contagem, tentando passar por uma portaria e a catraca estava quebrada... Brincadeira. Lésbica na fila (só quem viu sabe...) e empurra empurra. Entramos já estava 1x0. Gol de Castillo, que voltou a jogar bem.

Quando entrei, o Vasco tentava em vão algum ataque. Mas o Atlético estava melhor e não tardaria a fazer 2x0. Renan Oliveira. O primeiro tempo acabou com alguns coros de "Renaaaato veado!" e "Oléeee". O Galo estava sobrando.

Segundo tempo começou com o Vasco em cima, mas sem apresentar perigo. Bom para o Galo, time de contra ataque. Num desses, após grande cruzamento na área, Castillo sofre penalti. Leandro Almeida (grata surpresa como batedor) converte. 3x0. Em outro contra ataque, minutos depois, de novo penalti, dessa vez em Pedro Paulo. Leandro Almeida de novo. 4x0.

Como já disse no outro post, "com Edson em campo não tem placar em branco". Falha grotesca da defesa e sobretudo do "Mão de Quiabo". 4x1, gol de Madson, o único lúcido no lado cruzmaltino. Ainda teve o Leandro Amaral (jogou maaaal) batendo penalti à la Baggio.

Fim de jogo em festa. Galo ganhou a terceira seguida. E agora, como vou embora? Gogo taxi.

Peguei o taxista mais insano de BH. Cheguei em casa em tempo record, nem calçada o infeliz respeitava. Mas pelo menos cheguei vivo. E pronto pra outra.

Que venha o próximo jogo em casa.

Como disse o novo presidente Alexandre Kalil: "Vamos transformar o Mineirão num inferno!" (de novo). Atlético com torcida em campo é difícil de ser batido, e após os protestos por causa da administração passada voltamos a apoiar. Nunca abandonamos o Galo, mas agora estamos de volta pra casa. E ninguém segura.

Atlético atuou com:
Juninho (depois Edson, azarado como sempre); Sheslon (seguro), Leandro Almeida (tem estrela), Welton Felipe (jogou muito) e César Prates (de novo fazendo um penalti imbecil); Nen (seguro), Márcio Araújo (não comprometeu), Élton (não comprometeu, depois Yuri que atuou pouco tempo), Renan Oliveira (melhor em campo); Marques (procurou o jogo e saiu cansado pra entrada de Pedro Paulo que aprontou uma boa correria) e Castillo (oportunista e se movimentou bem).
Técnico Marcelo Oliveira (se não vier um de ponta pro ano que vem, continua sendo a melhor opção).

Vasco com:
Rafael, Wagner Diniz, Eduardo Luiz (Leandro Bonfim), Jorge Luiz e Odvan; Rodrigo Antônio, Mateus, Jonilson "um querendo comer o outro", Madson (melhor do Vasco, depois Pedrinho); Edmundo e Leandro Amaral.
Técnico Renato Gaúcho.

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mesa Redonda.

Comentários sobre o fim de semana (esportivo), tomara que virem hábito.

Primeiro, Hamilton bem que tentou ser vice. Mas o título não poderia ir para outro. Muito se criticou Timo Glock, o alemão da Toyota por ter "deixado" Hamilton ultrapassar na última curva (literalmente). Mas será que tinha alguma coisa pra ele fazer? Sério.

Ah, quem perdeu o título foi a Ferrari. Durante o ano, Massa pagou pelos inúmeros erros da equipe. Erros que variaram de estratégias a falhas no pit-stop. Coisas inimagináveis na F1, vindas da Ferrari então... No mais, a temporada marcou a estréia (de fato) do alemão Vettel que aparentou ter futuro promissor. Mas tava tudo meio que ajustado. Obvio ululante que o inglês ia se tornar o mais novo campeão mundial... Mas confesso que por breves 3 ou 4 voltas eu cheguei a acreditar no título do Massa. E quem não?

Mas parabéns ao Hamilton que mereceu. De verdade. E ano que vem promete. Tomara que o Alonso esteja com um carro de verdade desdo começo da temporada.

E que vergonha da torcida brasileira vaiando o legitimo campeão só porque o Massinha não venceu. Vergonha.

Sobre futebol, essa rodada do Brasileirão foi boa para o Atlético. Vencemos e vimos o Cruzeiro mais longe do título. Fora isso, vencer o Botafogo foi muito bom. Estavamos engasgados com esse time. 7 anos é muito tempo. E agora a tendência é outra, time e torcida parece que se uniram novamente (pela volta do Kalil ao comando, em grande parte).

O jogo foi menos complicado do que pareceu. Aliás, o Atlético (como vem fazendo normalmente no campeonato) dominou o jogo mas pouco concretizou. E com Edson em campo (isso é motivo pra um post mais pra frente) não tem placar em branco.

O Botafogo começou melhor no primeiro tempo. Tal domínio durou até os 15 minutos. Depois o Galo colocou ordem em casa. Com uma arrancada sensacional do jovem Welton Felipe (repetindo as boas atuações pelo Ituiutaba no Mineiro desse ano) que resultou num penalti. Duvidoso, diga-se de passagem. Mas quem liga? Importa é que Leando Almeida bateu com maestria e converteu. 1x0. Depois disso o Atlético continuou martelando. Mas sem objetividade. Castillo, Marques e Raphael Aguiar aprontaram correria no ataque, mas na hora da finalização... Teve bola na trave pros dois lados (a do Botafogo quando ainda tava em 0x0) e fim de primeiro tempo.

Os times voltaram iguais. Bom sinal. Mais ou menos. O Botafogo começou melhor, de novo. Alguns sustos, até que Edson cortou um cruzamento na área e ligou rápido o contra ataque com Marques. Bola de pé em pé até chegar a Márcio Araújo que foi derrubado por Rodrigo Sá, do Botafogo. Último homem, expulsão. Aí parecia que tudo se tranquilizaria. Um homem a mais em campo. Engano. Num contra ataque o Botafogo empatou com Carlos Alberto. Parecia que o filme se repetiria.

Mas aí brilhou a estrela do Pet. E do técnico Marcelo Oliveira. Em bola alçada na área pelo sérvio, que acabara de entrar, Leandro Almeida (de novo) escorou para o gol. Festa nas arquibancadas. A partir daí, o Atlético começou a administrar o jogo. Mas como era o Edson no gol (que aliás fez boas defesas, sendo justo), tinhamos de tomar mais alguns sustos. Nada demais, pra quem já está acostumado.

Fim de jogo, Atlético 2x1 Botafogo. Voltamos à 12ª posição. Pouco pelas espectativas da torcida. Mas melhor que nada.

Atlético 2 x 1 Botafogo.
Motivo:
33ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2008.
Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa-PR).

Atlético:
Edson:
boas defesas, mas continua inseguro.
César Prates: não comprometeu.
Leandro Almeida: melhor em campo, seguro na defesa e autor de dois gols.
Welton Felipe: bom jogo, mas continua estabanado.
Raphael Aguiar esforçado.
Nen: seguro, merece mais chances. Deu lugar a Petkovic: único pensante na equipe, indispensável para o time, ainda que atue só meio tempo.
Márcio Araújo: boa atuação, marcou bem e se apresentou nos contra ataques.
Élton: apagado, mas não comprometeu.
Renan Oliveira: bom jogador, só precisa de mais vontade. Meio apagado e lento, as vezes.
Marques: guerreiro, mas as pernas já não acompanham mais a cabeça. Seria uma boa alternativa para o segundo tempo, a meu ver. Deu lugar a Pedro Paulo: esforçado, mas limitadíssimo. Teve pouco tempo pra mostrar qualquer coisa, aliás.
Castillo: acho ele um bom jogador, com boa presença de área. Falta alguem para fabricar as jogadas. Nesse jogo porém, pouco produziu. Deu lugar a Beto: que pouco fez pois jogou pouco tempo.
Marcelo Oliveira: modificou bem, na hora certa. Mas continuo achando que está longe de ser o técnico ideal para o ano que vem.

Botafogo: Renan; Tiaguinho (Edson), Émerson, André Luiz e Triguinho (Luciano Almeida); Diguinho, Rodrigo Sá, Jorge Henrique e Carlos Alberto; Wellington Paulista (Eduardo) e Lucas. Téc: Ney Franco.
Destaque para Carlos Alberto que foi o mais lúcido do time carioca.

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sábado, 1 de novembro de 2008

Dalhe Massinha!

Sobre a final na F1 amanhã, alguns comentários.

Primeiro, acho que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. A situação no ano passado era bem parecida e o menos provável aconteceu. Hamilton errou e tudo deu certo para a Ferrari. Acho muito difícil acontecer o mesmo no GP do Brasil de 2008. Vale dizer que Hamilton aprendeu com os erros e hoje é um piloto melhor do que era em 2007. Cabe dizer também que, as atenções estão focadas nesses erros e toda a equipe está atenta para que não se repitam. Segundo porque em todas as vezes que o Massa esteve com a faca e o queijo na mão, ou ele errou ou a equipe o derrubou. Sinceramente, acho mais fácil isso acontecer do que Hamilton errar. Mas tudo é possível. Vejo vários entendidos afirmando que Hamilton não é bem visto pelos outros competidores, e temo pela falta de esportividade.

- Estou achando que Lewis Hamilton não passará da primeira curva da corrida. Tem muito piloto no grid que não vai com a cara dele - afirmou Nelson Piquet na globo.com.

Que a vitória de Massa seja na pista (e justa).

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Run, Rubens, Run!

Ou, de como Rubinho é injustiçado.

Hoje estava no Superesportes vendo notícias do Atlético quando me deparo com a seguinte matéria:

Sem apoio da Honda, Rubinho conta com fãs para seguir na F1.

Na boa, que sacanagem. Falando sério.

Barrichelo surgiu como uma revelação no kart brasileiro nos anos 80. Foi cinco vezes campeão nacional, o que lhe proporcionou uma vaga na Fórmula Opel e em seguida na Fórmula 3 Inglesa (tendo como seu coadjuvante, David Coulthard). Aos 19 anos, foi competir na Fórmula 3000, que hoje é a GP2. Em seguida, sua grande chance. Em 1993, estrearia na F1.

E daí tudo começou. Estreou justo no ano do vice campeonato do Senna. E em 94, todos sabem que grande perda o automobilismo nacional teve. Dai começaram as cobranças. Por melhor piloto que o Rubens fosse, sempre ficava a lacuna de gênio a ser preenchida com a morte do Ayrton. E ele sentiu isso. Passou anos como mero participante, limitado pelo carro que pilotava. Passou por Jordan e Stewart, onde após alguns bons resultados acabou despertando a atenção da milionária McLaren que, em 99, havia acabado de ser campeã do mundo com o finlandês Mika Hakkinen. A partir desse interesse, Rubinho acabou atraindo a Ferrari... E aí sim, viria uma chance pro paulista brilhar.

Ledo engano. Rubinho entraria mais uma vez no posto de coadjuvante. Mas dessa vez, participou de uma das duplas mais vitoriosas da história do automobilismo, mesmo que quem vencesse na grande maioria das vezes fosse seu parceiro. Vale dizer, que nesses anos a Ferrari sobrou tanto no campeonato que Rubens sagrou-se vice campeão em duas oportunidades. Seu período na Ferrari continuaria assim. No penta (seguido) de Schumacher, Rubinho teve papel importante em todas as temporadas. Conquistou inclusive algumas vitórias (9, no total), incluindo a mais emocionante que eu já vi.

Rubinho largou em decimo oitavo. Era o circuito de Hockenheimring, na Alemanha. Logo na largada, Michel Schumacher bateu. Entre muitas idas e vindas, Rubinho foi ganhando posições. Lembro-me como se fosse ontem. Simplesmente genial. Quando nos assustamos, Rubinho já estava pontuando. E num daqueles dias que tudo deu certo, numa chuva que atrapalhou a todos menos ao brasileiro, ele recebeu de presente a primeira colocação. Lembro até hoje da discussão entre Reginaldo Leme e Galvão Bueno (duas velhas ranzinzas, como diz meu pai) discutindo sobre a estratégia do piloto em não parar para trocar os pneus. Rubens contrariou inclusive o chefe de equipe. Foi emocionante até o fim, e como não tinha idade na época do Ayrton, foi meu primeiro tema da vitória. Emocionante. Inesquecível.

Depois vieram outras vitórias, mas aquela é inigualável. Nenhum piloto vai conseguir algo parecido. Nunca.

E isso fez Rubens eterno, pelo menos pra mim. Mesmo sendo chacota no Brasil, alvo constante de programas de tv e etc., Rubinho nunca abaixou a cabeça. E isso faz dele um vencedor. Segundo Reginaldo Leme (um dos maiores conhecedores de automobilismo do país), o maior corredor em pista molhada que a F1 já viu.

Voltando ao assunto do começo, tremenda babaquice da Honda não renovar com o Rubinho. Uma vez que o carro não é competitivo, nada mais justo que prestar uma homenagem ao piloto com maior número de GPs disputados. Provocar a aposentadoria "forçada" de um ícone como esse, é um tiro nos pés.

Toda a sorte no mundo pra esse ídolo do esporte.

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