Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de maio de 2015

Resenha Atlético Paranaense x Galo - 24-05-2015

Pré-jogo:
Começamos a partida com a manutenção daquela escalação ousada do Levir. Aliás, ousada não, porque a mediocridade de uns anos atrás fez do atleticano prudente em excesso. Todos os times campeões nos últimos anos usam e abusam dos jogos fora de casa porque é esse o diferencial e o elenco do Galo tem demonstrado que o objetivo de 2015 é o sim o Brasileiro.

Ao escolher pela manutenção de Carlos na vaga de Leandro Donizete a proposta era clara: iríamos pra cima em busca dos três pontos.

A escalação foi a mesma da última rodada: Victor; Patric, Léo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca, Dátolo, Luan; Carlos, Pratto e Thiago Ribeiro.


O jogo: 
E assim começou... Galo pressionando, marcando em cima e sufocando o adversário.

Ainda assim começamos com um susto, num erro bizonho de Luan que tentou virar o jogo e acertou um passe pro adversário. Victor já demonstrou ali a partida segura que faria, salvando mesmo com a marcação de impedimento pelo árbitro.

Logo em seguida, tivemos três boas finalizações de Lucas Pratto que, embora não tenham sido lances fáceis de guardar, a bola só não entrou por excelentes intervenções do goleiro Weverton.

O Galo continuou pressionando, girando o jogo quando necessário, abusando das laterais e demonstrando mais uma vez que enquanto Marcos Rocha não voltar teremos um longo período de provação em que será indispensável muita paciência. Perdemos mais uma oportunidades em chutes de Thiago Ribeiro e Dátolo, que abusou ao tentar encobrir o goleiro, além de uma boa cabeçada de Carlos que terminou em mais uma defesa de Weverton.

No momento em que a postura de mandante do Galo dava sinais de que bastava tempo pro gol sair, uma jogada nas costas do Patric (mais uma) resultou em gol. Nikão (lembra dele?) foi à linha de fundo e cruzou rasteiro, contando com a chegada surpresa de Douglas Coutinho que não perdoou. Indefensável pro Victor, mas um lance de cochilo da defesa que era perfeitamente evitável.

Fim do primeiro tempo registrava um placar na minha opinião injusto mas que não era necessariamente surpreendente.

No intervalo, Levir entendeu pela ausência de um organizador em campo e optou pela saída de Carlos para entrada do Giovanni Augusto que, apesar de ainda não ter sido efetivo desde que voltou, mostra ter muito crédito com o treinador. Assim como ele, Dátolo que vinha em mais uma partida apagada mostrou ser praticamente intocável ali no meio campo.

A postura do time mudou pouco com a entrada do armador, permanecendo apenas a insistência em perder gols. Pratto mais uma vez, Luan, Dátolo, Douglas Santos... Ninguém acertava e a pressão não surtia efeitos.

De positivo, até aquele momento, a praticamente nula presença ofensiva do rival, o que mesmo assim não impediu alguns erros esquisitos na defesa que não deixam de chamar atenção. Foram necessárias duas ou três intervenções de Victor a fim de impedir contra golpes perigosos dos paranaenses, nos moldes de Manuel Neuer. Quem mais preocupava era Walter, como já esperado, eternamente fora de forma mas tecnicamente superior à maioria em campo.

O Galo ganhava o meio campo mas não traduzia o domínio em gols. O time acuava o rival, criava, chegava com facilidade, mas não concluía. E quando o fazia, faltava capricho.

O 1x0 persistia no placar, o torcedor ficava cada vez menos esperançoso e o que parecia ser questão de tempo não aparecia.

Aos 25 minutos, Levir optou por colocar Jô na vaga de um apagado Thiago Ribeiro, apostando na dupla Pratto e Jô, uma tentativa que já tinha se mostrado acertada em outros jogos. Logo no lance seguinte à alteração Dátolo apareceu de surpresa na área e, completando cruzamento de Patric, acertou um belo voleio que acabou passando por cima do gol.

A pressão continuava e Pratto acabou demorando muito pra finalizar num contra-ataque, sendo desarmado nos momentos finais pelo lateral Natanael. 

Levir tentou de novo com a entrada de Maicosuel na vaga de um exausto Luan que esteve longe de ser efetivo.

30, 35, 40, 45 minutos. O Galo pressionava mas pouco finalizava e o jogo se arrastando para um final melancólico, com o rival abusando da cera. Nesse ínterim mais posse de bola pro Galo e menos produção ainda. De se destacar a expulsão impensada do Walter, manchando uma ótima atuação.

Nada feito, fim de jogo com derrota injusta pelo domínio e justa pela ineficiência.


Pós-jogo:
A Arena da Baixada sempre foi muito dual pro atleticano. Péssimas lembranças com algumas goleadas, mas também uma classificação heroica na Libertadores de 2000 (num ensaio do que o "Eu acredito" viria a significar).

Das boas lembranças que me vem à cabeça está aquele jogo em 2009, quando um Galo desacreditado e em reformulação impôs um 4x0 aos paranaenses que pouco puderam fazer a não ser lamentar. Se aquele time comandado por Celso Roth pode nos ensinar alguma coisa é que chance criada deve ser aproveitada. O Galo dominou aquele jogo no meio campo, impôs muita pressão com a velocidade de Tardelli e Eder Luiz, contou com um Junior inspirado e um promissor Marcos Rocha na direita, que sequer imaginava ser titular. Mas não se deu ao luxo de perder uma infinidade de gols como hoje.

Claro que naquela oportunidade fizemos uma grande campanha, sobretudo se analisarmos o elenco no papel e os ótimos jogos em cerca de 70% do certame. Aos poucos a qualidade individual começou a pesar e vimos que, com todo respeito, um time com Carlos Alberto, Márcio Araújo, Jonílson e afins dificilmente renderia algo melhor que uma briga (bem suada) pela Libertadores.

Voltando ao time de hoje temos um Atlético de qualidade inquestionável. Voltamos a ter um grande elenco no papel, mas que já demonstrou em campo do que é capaz. Em geral, quando exigido o corresponde e coloca nas quatro linhas aquilo que esperamos deles. Se não dá na técnica, como foi nos dois jogos da final da Copa do Brasil, vai com o coração, como nos memoráveis confrontos com Corinthians e Flamengo, também naquele torneio.

O que não dá é pro Atlético se dar ao luxo de perder gols e desperdiçar pontos. Não deixa de ser estranho como um time sai de uma partida genial pra outra tão ineficaz. Não adianta nada ter posse de bola, dominar o jogo e voltar com a derrota pra um time que, ao que parece, vai brigar contra o rebaixamento.

É errado afirmar que todo jogo na Arena da Baixada vai ser fácil, mas hoje era esta a realidade. Estádio vazio, torcida se manifestando pouco, contra um time que brigou pra não cair no estadual. O Atlético tinha totais condições de se impor em campo e sair de lá com os três pontos.

E deu sopa pro azar, mais uma vez.

Ouvimos as entrevistas dos jogadores e do Levir Culpi pós Atlético x Fluminense e nos deparamos com um raciocínio só: dá pra sermos campeões. Pra isso precisamos de seriedade e foco, coisa que faltou hoje contra o Atlético-PR. Tomemos como exemplo a eliminação na Libertadores desse ano, quando jogamos muito mais que o Internacional nos dois jogos mas eles foram excessivamente eficientes, marcando gols estratégicos que minaram o Galo e encaminharam uma classificação relativamente tranquila.

Pro próximo jogo? Obrigação de vencer em casa o Vasco, esperando pela boa vontade do Levir em escalar o Guilhermeg e confiar na rápida recuperação do Marcos Rocha, peça fundamental no time.  Dátolo continua devendo, apesar da boa partida contra o Fluminense. Além disso, o time precisa concretizar a vontade de ser campeão tão externada nas entrevistas da semana passada com futebol e vontade em campo.

Ficha técnica:
Atlético-PR 1 x 0 Galo
3ª Rodada do Campeonato Brasileiro
Data: 24/05/2015
Horário: 16 horas
Estádio: Arena da Baixada
Cidade: Curitiba/PR
Público pagante: 13.510
Renda: R$ 157.632,81

Gol: CAP: Douglas Coutinho (39')
Árbitro: Thiago Duarte Peixoto (Asp. FIFA/SP)
Auxiliares: Daniel Paulo Ziolli (Asp. FIFA/SP) e Alex Ang Ribeiro (CBF-2/SP)
Cartões amarelos: Otávio, Weverton, Douglas Coutinho (CAP)

Escalações:
Atlético-PR
Weverton; Eduardo, Gustavo, Kadu e Natanael (Paulinho Dias); Otávio, Hernani, Felipe e Nikão (Guilherme Arana); Douglas Coutinho (Dellatorre) e Walter.
Técnico: Milton Mendes.

Galo
Victor; Patric, Léo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Rafael Carioca, Dátolo, Luan (Maicosuel); Carlos (Giovanni Augusto), Lucas Pratto e Thiago Ribeiro (Jô).
Técnico: Levir Culpi.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Geração FM.

Este post está aqui nos rascunhos já tem tanto tempo... Vou tentar desembolar agora.

Quando eu era criança, lá pelos meus 7 ou 8 anos, comecei a assistir ESPN. Ainda que não tenha sido do dia pra noite, conheci vários clubes europeus, vários campeonatos e, porque não, diversos esportes. Sabia quem era Raul e vi ele jogando no auge. Toti, Fernando Couto, Shevchenko, Rui Costa... Acompanhei o surgimento do Messi, Fàbregas, Kaká e por que não dizer, do atual campeão da UCL... Vi o auge e a queda de Ronaldinho Gaúcho. Vi caras aparecerem e sumirem.

Já adianto pra quem não me conhece, 99% do meu conhecimento esportivo devo ao meu avô. Desde cedo, sempre assistia absolutamente tudo que o esporte e a tv aberta me ofereciam na companhia dele.

Bom, voltando à ESPN... De repente eu já conhecia um outro mundo de possibilidades no futebol. Sabia quem eram os irmãos Laudrup bem antes da Copa de 1998. Já tinha visto o Michael jogando por Barcelona e Real Madrid e sabia que o cara era bom de bola.

Enfim, naquela época sem internet, era a melhor fonte de conhecimento esportivo que eu tinha E o conhecimento, ainda que raso, que eu obtive, veio de acompanhar os jogos e campeonatos. Passava Betis x Celta de Vigo e eu assistia como se fosse Barcelona x Real Madrid.

O ponto que eu quero chegar é nas atuais gerações dos entendidos de futebol. Atualmente, as fontes de consulta se limitam a estatísticas da wikipedia (quantos jogos, quantos gols) e jogos virtuais. Apesar do aumento de opções (tanto de canais quanto de campeonatos), hoje são poucos os que acompanham o jogo em si.

Não vou ser hipócrita e falar que nunca joguei (inclusive, continuo jogando, sobretudo Fifa e FM).

Acho ambos os jogos sensacionais e a atenção que as empresas tem dado aos jogos é exponencial. Antigamente, vide Elifoot, você escolhia a tática e selecionava quem tinha melhores condições físicas. Pra época, era extremamente complexo. Hoje, nos managers, podemos montar esquemas de treino para cada perfil de jogador, compor comissões técnicas, enfrentar problemas de ego e de adaptação ao idioma. Cada nova versão se aproxima mais da perfeição e isso é incrível.

O problema é quando as pessoas não sabem diferir o jogo da realidade.

Por mais real que fique em um lado a parte da simulação da realidade (sobretudo extracampo), na parte que mais importa é praticamente impossível estabelecer um parâmetro real. Reconheço que é difícil deixar isso real, mas vejo nisso um perigo gigante pros "entendedores" de futebol.

Explico.

Como disse antes, eu sabia antes da Copa de 1998 que o Laudrup jogava muita bola. Não por ouvir um comentarista falando ou as estatísticas dele na wiki, ou por jogar com ele no Fifa 97, eu sabia porque já havia visto ele jogando na Espanha. Hoje, você senta pra conversar com as pessoas sobre contratações e vêm sempre as sugestões baseadas nos jogos... Roncatto, Todorov, de la Cuesta, Mihalcea, etc. Jogadores que nunca jogaram nada em lugar algum e, dependendo da versão do manager, são as primeiras contratações de qualquer um.

Ao mesmo tempo que os jogos virtuais aproximaram o torcedor do futebol, abrindo a visão do leque de outras opções além do camisa 10 do Flamengo e do goleiro do São Paulo, privou a molecada da análise fria do futebol como ele é: no campo.

Vejo gente defendendo a convocação do Ronaldinho Gaúcho pra Seleção brasileira. Provavelmente, são pessoas que jogam FM e tem o RG como melhor jogador do campeonato. Na real, faz tempo que não joga nada e o pior, não por falta de capacidade... Por falta de vontade. E isso o jogo não pode retratar hoje... Do jeito que anda a evolução, não duvido que apareça esta possibilidade nos próximos FMs.

Fora a questão dos pitacos táticos... Muita gente usa táticas prontas nos simuladores e perde a maior graça do jogo... Passar aperto e sofrer pra vencer alguns jogos. Outra vez, assumo que já usei por diversas vezes táticas prontas, mas ainda assim, sempre fiz adaptações ao que tinha em mãos. Não adianta você usar o time pra cruzar na área se no ataque você tem dois baixinhos. Não adianta pedir pro Luis Fabiano armar o time.

Isso abre outro leque, o derradeiro. O paralelo com a invasão nas tvs (ressalto a ESPN Brasil, por anos a melhor neste quesito, hoje nem tanto) de comentaristas de boteco. Aqueles caras que acham que entendem de bola por terem passado os últimos 10 anos jogando bola profissionalmente ou aqueles que fizeram faculdade de comentarista (como disse o Kajuru sobre a Renata Fan, fez cadeira de Tática II?).

Virou um circo. Antes, você ainda conseguia pinçar alguns caras que realmente entendem. Hoje, vê uns caras sem capacidade alguma pra isso.

Fazendo um caminho diferente, temos o Léo Bertozzi da ESPN Brasil, que saiu do excelente Trivela e hoje comenta jogos na tv com propriedade impar. É um cara que entende de bola, mesmo sem jamais ter sido jogador. Idem ao PVC e ao PCV (sério). É claro que temos os caras bons, mas os ruins estão infestando os canais.


Lugar de comentarista de boteco é na arquibancada. Que as redes de tv jamais se esqueçam disso.

E eu não me julgo bom o suficiente pra isso, que fique claro. Sou comentarista de arquibancada.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Like a rolling stone.

Larguei mão, numa boa.

Hoje aquilo que tinha uma história pra mim acabou.

Aliás, acabar não acabou. Porque o sentimento nunca vai acabar. Não vai ser o descomprometimento de alguns, a falta de hombridade de outros e interesses escusos que vão me fazer desistir.

Em 2005, ano da tragédia, eu era um dos que estavam aplaudindo a honra daqueles meninos em vestir a camisa do Clube Atlético Mineiro. Bruno, Thiago Junio, Lima, Rodrigo Dias, Renato, Rafael Miranda, Alício, Pablito, Quirino, Tchô e Rodrigo Silva. Muitos deles jamais jogaram outra vez pelo time titular do Galo... Desses, só Tchô, Lima e Rafael Miranda tiveram chances no time, além do Bruno e Renato que foram vendidos e do Cáceres, que já tinha a vida ganha e depois foi pro River Plate. Ainda assim, eu lembro do nome de todos. Ainda tinham outros, sobretudo que jogaram esse fatídico jogo, mas não convém ressaltar.

Lembro que em 2005, quase que exatamente 6 anos atrás, o time era rebaixado. E a molecada saia de campo aplaudida. Não por ter evitado a queda, que era praticamente certa. Por ter honrado a camisa, por ter corrido naquele jogo como se não houvesse amanhã. E digo, pra alguns deles nunca houve um amanhã. Foi aquele jogo e pronto.

Enquanto alguns estavam longe, provavelmente curtindo férias, eles estavam lá.

Até pênalti do Romário os meninos pegaram.

Não tem dinheiro no mundo que compra honra e respeito. Em 2005, conseguiram isso.

Ontem tudo desmoronou.

E estou aqui escrevendo pra quem quiser ler, vou tirar férias disso tudo. Volto quando quiser.

---------------
Now playing: Bob Dylan - Like a Rolling Stone (Studio) w/ lyrics - YouTube
via FoxyTunes

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fora das quatro linhas.

Estive pensando esses dias e não cheguei a uma conclusão lógica. Digo lógica no sentido de fazer sentido, claro, porque de cara eu já falo que vale (muito) a pena.

Levar futebol a sério vale a pena?

Pensei nisso depois que pipocaram na imprensa as notícias do torcedor do Cruzeiro que morreu assassinado por membros de uma "Organizada" do Galo. Que isso aconteceu, já tem mais de ano. Na época aquilo me assustou, porque ainda que o cara tenha de fato procurado briga, o único motivo da morte era vestir uma camisa azul.

O que aconteceu foi que membros da Galoucura estavam em um evento de MMA aqui em BH acompanhando a luta de um "afiliado" (sei lá se o termo é esse). O cara treina na academia e é "patrocinado" pela torcida. Na saída, se depararam com um pequeno grupo de cruzeirenses uniformizados. Sabe-se lá o que estavam fazendo naquele lugar, naquela hora. Na época pipocaram notícias de que eles estavam viajando pra acompanhar um jogo no Rio e decidiram ir lá torcer contra o atleta da Galoucura. Não sei se foi exatamente isso que aconteceu, mas sem dúvida dá pra dizer que o camarada que morreu não estava passeando com a namorada no shopping lá perto, ele estava lá pra, no mínimo, provocar os rivais.

Na saída, ocorreu o choque entre as torcidas e os cruzeirenses, em número bem menor, foram postos pra correr. Sobrou pra um que veio a falecer dias depois. Tudo filmado pela câmera de segurança de um shopping. As imagens são feias, mas não convém comentar, mesmo porque isso é um exemplo dentre inúmeras confusões que acontecem.

Voltando ao mote do texto, vale a pena levar futebol a sério?

Inevitável dizer que damos uma importância monstra pra uma coisa que deveria ser apenas lazer. Tem um jornalista que disse certa vez que "o futebol é a coisa mais importante, dentre as menos importantes".

Vivenciar o futebol é uma delícia. Desde a graça por zoar um amigo na segunda-feira pela derrota do time dele ou a pelada com os amigos... Esquecer de todos os outros problemas dentro das quatro linhas. Ir ao estádio, tomar uma cerveja, torcer. Não tem coisa melhor. Até a outra via, o sofrimento pela derrota. Esperar que a segunda-feira, a mesma ali de cima, nunca chegue pra não ter que aguentar aquele seu amigo que só aparece vez ou outra falando besteiras na sua cabeça.

Não tinha felicidade maior na vida do que gastar as manhãs jogando bola quando eu era criança. Jogava no quintal, na rua, na sala... Onde fosse possível armar as traves. Até sozinho eu jogava bola.

Aqui no Brasil é difícil achar alguém que não vivencia o futebol desde novo. Assim, é difícil achar quem não ligue pra futebol.

Mas daí você para pra pensar... O camisa 10 do seu time que perdeu aquele penalti no sábado vai estar no domingo numa festa, nem lembrando do que aconteceu. Vai continuar ganhando seus milhões por ano. Vai continuar beijando o escudo, desprezando a história por trás daquele distintivo.

Aliás, você se imagina com 19 anos ganhando quase três milhões de reais ao mês? Pois é, é isso que o Neymar vai ganhar por mês até 2014 (isso se não tiver nova renovação, porque essa da última semana é a terceira que eu lembro nos últimos meses).

Com todo respeito ao moleque que joga muita bola... E a outros "craques" da bola. Isso é dinheiro demais! Um cara que estuda a vida inteira, se especializa, faz n cursos, sai da faculdade ganhando menos que 3 mil reais ao mês. E um pai de família que sustenta a esposa e os três filhos com um salário mínimo? Nem se fala.

Será que é a gente, do povo, que tem de levar o futebol a sério?

Na real, é o que acontece. É o pai de família que ganha 545,00 reais ao mês que leva no final de semana seu filho ao campo. Faz um sacrifício em casa pra poder dar a camisa do time de presente no Natal pro filho.

Será que o cara que ganha milhares de reais por mês pra jogar bola não devia levar as coisas mais a sério?

Será que na segunda-feira, quando você tiver de enfrentar colegas de trabalho, de faculdade, etc., por conta de uma derrota do seu time, vai lembrar dos caras que causaram essa tristeza?

Já tentei mudar, mas confesso que sou assim. Fim de semana que o Galo perde, minha semana acaba. Quem sofre comigo é a namorada, minha mãe, quem me quer bem. Sofrem com meu mau humor.

Será que elas tem culpa pelo fulano ter perdido o penalti?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dinheiro compra tudo?

É a pergunta que passa agora na cabeça dos membros do Clube dos 13.

Será que vale tanto a pena assim fazer o leilão entre Globo e Record, pelos direitos de transmissão do Brasileiro 2011?

Tem tudo pra ser o campeonato com maior audiência desde sempre. A volta de grandes atletas, como Ronaldinho e Rivaldo, e por que não, Mancini e Elano. Times bem montados, finalmente com a ficha da fórmula mágica do elenco caindo, rivalidades afloradas desde a época dos estaduais... Audiência não vai faltar.

Desde que eu me entendo por gente os direitos de transmissão do Brasileiro estão sob as mãos da Rede Globo, a Vênus Platinada, como diriam alguns.

Por favorecimento? Talvez.

Mas eu parto do princípio que a estrutura adquirida ao longo dos anos, não importa por quais meios, é inigualável no Brasil, quiçá no mundo.

Um exemplo bobo, mas real são as novelas. A rede Record vive "comprando" atores e atrizes, diretores, roteiristas e produtores da Globo, mas ainda assim os folhetins não alavancam. Falta aquele "quê" de originalidade, todas as novelas parecem cópias de algum filme ou seriado. Ou, pior ainda, remetem à raíz das novelas mexicanas da Televisa, marca de outra emissora paulista, o SBT. Edir Macedo investe em estúdios, câmeras, profissionais... TUDO. Mas nem de perto as novelas da Globo parecem afetadas. Em outras áreas, idem. O "Legendários", programa de humor da Record, chegou com banca mas não conseguiu emplacar, mesmo com grandes nomes como Mion, João Gordo, Hermes e Renato, etc. Literalmente pagando de cópias de si mesmos, mesclando ainda com o tipo de jornalismo do CQC e os fatos apelativos do Pânico.

Temo que aconteça o mesmo com o futebol. O fato de uma emissora finalmente conseguir peitar a Globo em termos financeiros não significa que a qualidade de transmissão vai acompanhar.

Será que na Record teremos transmissões regionais? E eu não falo de Guarani x São Paulo, em Campinas. Falo de Grêmio x Bahia, Atlético x Coritiba, Cruzeiro x Internacional. Hoje, a Globo Minas transmite quase que sempre jogos dos times mineiros, sempre o que joga fora de casa no "horário comercial", ou seja, domingo às 16:00, ou quarta às 21:50.

Aliás, esse fator horário pode mudar também. Confesso que este é o único aspecto que pesa a favor da Record, no meu julgamento. Pra ir no campo hoje, preciso viajar uma hora e pouco até Sete Lagoas devido às obras para a Copa do Mundo. Imagina sair de BH numa quarta feira às 20 horas para ver um jogo às 21:50, retornando de lá, por uma estrada cheia e perigosa de madrugada? Isso acontece hoje. Talvez com a vitória da Record nessa "licitação", provavelmente os horários de meio de semana serão alterados... Talvez para a hora do Jornal Nacional, às 20 horas, ou para o começo da novela, às 21:00. Pro torcedor, com certeza será melhor.

Talvez esta concorrência seja boa em termos financeiros ao futebol brasileiro, mas será que os torcedores serão beneficiados?

Em tempo, pra você que reclama de Rogério Correa (me incluo nisso), imagine como será assistir jogos com narração de Eder Luiz e comentários de Muller.

Por isso sou a favor da permanência da Globo.

Se tem alguém que lê esta porcaria, por favor, queira se pronunciar nos comentários. Depois de um longo e tenebroso inverno, acho difícil que alguém ainda frequente esta espelunca.

Novos posts virão, aguardem.

sábado, 17 de julho de 2010

Ainda existem bobos no futebol

Diz o Código Galvão Bueno das Frases Feitas, no artigo 6°, inciso XIII:

"Não existe mais bobo no futebol".

Na aplicação original da frase, em termos de cancha, pode até ser. Mas no futebol em geral, bom, isso não se aplica.

Nos dois últimos meses, tivemos duas histórias que comprovam a minha afirmativa.

Se você não esteve no planeta Terra nas duas últimas semanas talvez não saiba, mas o goleiro do Flamengo, Bruno, está preso suspeito de participação no assassinato da modelo, atriz pornô e manequim (discurso padrão da maioria das mocinhas que não gostam de trabalhar, de fato), Eliza Samudio.

Ele é um bom goleiro, acompanhei a carreira dele na base do Atlético e sempre apresentou bons reflexos, bom posicionamento e boa liderança. Era titular do Flamengo desde o fim de 2006, havia recentemente completado 230 partidas pelo clube. Isso com 25 anos de idade... Tinha um futuro absolutamente promissor no esporte, apesar do caráter (?!) duvidoso e do descontrole em algumas situações. Especulações davam conta que ele era um dos favoritos a assumir o posto do brasileiro Dida, no Milan da Itália.

Tudo foi jogado no lixo nesses últimos dois meses.

Saindo do óbvio sensacionalismo que envolve o caso, quero falar sobre as escolhas que envolveram o caso e como o goleiro poderia ter resolvido as coisas de maneira bem simples. Uma vez que a moça dizia que ele era o pai do filho, bastava fazer o teste de DNA e comprovar a paternidade. Uma vez comprovado que ele não era o pai, problema resolvido. Caso contrário, bastaria passar a contribuir com a pensão... Convenhamos, nada muito absurdo pra alguém que recebe R$ 200 mil mensais, fora contratos de patrocínio... Uma pensão fora da realidade brasileira, para ele não seria algo exagerado... Talvez uns 30 mil reais por mês, mais do que o necessário para a criação de seu filho, de fato, porém irrisório se levarmos em conta os vencimentos do pai.

Independente de a mãe ser uma chantagista ou qualquer coisa do tipo, a criança não tem nada com isso e merece crescer com boas condições, o que cabe aos pais proporcionarem. Como a situação financeira de Bruno é absolutamente tranquila, contribuir para a criação de seu filho é obrigatório, sobretudo sob o ponto de vista moral.

Porém, segundo as investigações, o goleiro tomou outra decisão. E está pagando por ela. Diferente de outros lugares, eu não vou falar que o referido fez ou deixou de fazer alguma coisa. Mas se as investigações se direcionaram a ele, fato comprovado pela prisão preventiva em uma penitenciária de segurança máxima, acho que as perspectivas não são muito boas sobre a inocência.

Independente de participação no homicídio ou não, a carreira de Bruno acabou.

O outro caso envolvendo "boleiros" (1) e burradas, envolveu o também jovem e promissor Alexandre Pato. Outra vez, por falta de orientação.

Pato tem 20 anos, joga no Milan desde 2007 e teve uma carreira meteórica. Até o fim de novembro de 2006, ninguém no Brasil conhecia o jogador e, depois de uma boa estréia e um bom Mundial Interclubes, virou a nova sensação do futebol. Seis meses depois, já estaria jogando na Itália.

Coisa de filme? Ainda não. Faltaria ainda o casamento com uma estrela de novela, jovem (como ele) e de família abastada.

Casamento que durou apenas nove meses e que vai custar caro. Cerca de dez dias atrás, foi determinado em juízo que Sthefany Brito tem direito a receber uma pensão correspondente a 20% dos rendimentos do jogador (trocando em miúdos, cerca de 130 mil reais, por mês). Cabe ainda, percentual para a atriz sobre qualquer contrato de patrocínio que envolva Pato.

Tá certo que Pato recebe muito bem, sobretudo para alguém de sua idade. De fato, não deve ter sido fácil para Sthefany largar a família e o trabalho no Brasil e se lançar às cegas na Europa, recém casada e sem experiência. Mas garantir a uma garota de 23 anos uma fortuna dessas, proveniente do trabalho de um ex-marido com quem esteve junto por menos de um ano é demais. Ela é jovem e saudável, apta a voltar a trabalhar como atriz (apesar de nunca ter sido nada demais) e quem sabe, viver como um mero mortal e fazer uma faculdade (pode até ser particular, aposto que o pai tem condições de pagar), procurar um emprego... Filho seria um motivo razoável para tal pensão, mas contrapondo a situação do Bruno, Pato e Sthefany (puta nome complicado de se escrever, pelo amor de Deus...) não tiveram herdeiros.

Com a minha pequena experiência em direito, acredito que a sentença da juíza que determinou os 20% será reformada pois é absurda. Mas ainda assim, por conta de falta de orientação ao jogador, grande parte de seus rendimentos está comprometida a uma ex-mulher com quem conviveu por meros nove meses. Não sei o que aconteceu no casamento dos dois, o objetivo do texto não é julgar o comportamento de X ou Y, muito menos ser machista ou anti-feminista. Só acho errado esse tipo de comportamento, amparado pela indústria do divórcio.

Assim morre a lição do artigo 8°, inciso XL, do Código Galvão Bueno das Frases Feitas:

"Malandro NÃO é o pato".

É amigo... Ainda existem bobos no futebol.


(1) Odeio essa expressão, mas é melhor do que falar "futebolista", como na wikipédia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Paciência de Jó

Conta o livro mais lido do mundo, Jó (ou Job, para alguns) foi um homem abastado que viveu na terra de Uz (baita nome legal, diga-se)...

Conta a história que Jó foi vítima de uma aposta entre Deus e Satanás. Mais precisamente, um teste de integridade e probidade. Jó possuía riquezas e era considerado o maior de todos os homens do Oriente...
Ora, chegado o dia em que os anjos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela. Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura Jó teme a Deus debalde? Não o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam na terra. Mas estende agora a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ele blasfemará de ti na tua face! Ao que disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está no teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. [Jó 1:6-12]

Satanás, entretanto, desafia esta fé, e então Deus permite que o mesmo interfira na vida de Jó, resultando na tragédia deste: a perda instantânea de seus bens, de seus filhos e de sua saúde.

Jó, porém, não blasfemou contra Deus, mas, ao invés disso, se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou ao Senhor. Deus permitiu que Satanás ferisse Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. Após a narração desses fatos, sucederam debates entre Jó e seus amigos (Elifaz, Bildade e Zofar) sobre a grandeza dos propósitos da divindade e sobre os mistérios da vida humana e sua culpabilidade. Ao final, Deus aparece a eles e repreende-os, e Jó fala: "Antes eu Te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos Te veem".

E Deus virou a situação de Jó, enquanto ele orava pelos seus amigos, e o Senhor devolveu a Jó em dobro a tudo quanto antes possuía de bens materiais, além de vir a ter outros sete filhos e três filhas, as quais vieram a ser consideradas como as mais belas da época. E ele viveu cento e quarenta anos, e morreu velho e farto de dias.

O momento wikipédia acaba agora.

Colocando tudo em linhas gerais, é possível continuar trabalhando normalmente com todo mundo sendo contrário ao seus serviços?

É suficiente ser campeão de três campeonatos tendo disputado quatro?

Dunga liderou a seleção na primeira colocação das Eliminatórias da Copa e se classificou com muita facilidade, foi campeão da Copa América e da Copa das Confederações. O único revés em termos de competições foi nas Olimpíadas, onde a seleção ficou em terceiro lugar.

E ainda assim, as cobranças só aumentam. Não ter levado Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar apagou completamente o histórico do treinador. Pelo menos é assim que a imprensa age.

Engraçado.

Porque ele foi o responsável por cortar (quase) todas as regalias da Rede Globo com a Seleção. Acabaram as entrevistas exclusivas pós jogo, as matérias imbecis com Ana Maria Braga e afins. Dunga peitou a Globo ao impor o fim da mamata.

Depois de quase quatro anos trabalhando contra a imprensa e consequentemente a torcida, apresentando bons resultados, Dunga ontem, após a vitória contra a Costa do Marfim pela primeira fase da Copa do Mundo, perdeu a paciência com um jornalista da Tv Globo que ficou ironizando sua resposta.

O contra-ataque da "Vênus Platinada", veio na forma de um editorial pra lá de mesquinho no Fantástico e na declaração de guerra contra o técnico.



Não há como dizer que Dunga está fazendo um mal trabalho pela seleção. Afinal, os números mostram o contrário. O impressionante é a Globo ficar revoltada por, pela primeira vez em muitos anos, não ter privilégios sobre os outros canais de tv.

Dunga castrou o futebol alegre da seleção de 2006, aquele oba oba tremendo que não rendeu em absolutamente nada. Fez o time jogar pragmáticamente, priorizando resultados antes de espetáculo. Vem dando certo.

Impôs o futebol pegado e brigador que demonstrava enquanto foi capitão da Seleção, naquela injusta referência de "geração Dunga" como uma geração fracassada. Uma geração que sob a batuta do próprio Dunga, foi tetra campeã em 94 e vice em 98, nunca se esqueceu das ásperas palavras ditas no passado.

E hoje, só resta dizer uma coisa:
Paciência tem limite.

Na humilde opinião deste que vos escreve, Dunga está mais do que certo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

"Mulherzinhação" do futebol.

A cena lembra a infância de todos... Dezenas de moleques jogando bola na quadra do colégio e, aquele camarada (geralmente o gordinho e/ou quatro-olhos) sentado isolado na arquibancada, geralmente ansiando por uma companhia para jogar Magic. Naquela época quem não jogava bola no recreio era "mulherzinha", naquela percepção infantil e inocente.

É o que está acontecendo com o futebol moderno. Estão castrando o futebol. Você vai ao estádio hoje e não pode tomar uma cerveja, não pode mais assistir o jogo de pé. Hoje, você tem de beber cerveja sem álcool (?!) e assistir assentado. O futebol está passando por um processo de "mulherzinhação", praticamente irreversível. Não que eu pense que futebol é esporte exclusivo para ogros e trogloditas... Longe de mim, mesmo porque não tem coisa melhor pra mim do que ir ao campo acompanhado da minha namorada.

"Mulherzinhação", no meu dicionário é sinônimo de frescura. Não tem nada a ver com entes do sexo feminino, mesmo porque existem mulheres que entendem mais de futebol do que alguns homens... Isso é irrelevante.

O que pesa pra mim, é que estão tentando elitizar um esporte do povo. Estão empurrando guela a baixo atitudes gentlemen no lugar tradicional de nêgo banguela.

Hoje (1) um jogador acusou outro de racismo (sic) por uma discussão em campo. Crime de injúria racial, o que de fato ocorreu, é uma coisa que deve ser abolida da sociedade, não defendo essa prática de maneira alguma...

Mas futebol é futebol.

É lugar onde a gente fala as coisas sem pensar, é onde a emoção de botar a camisa e vencer supera a razão. É de fato, uma guerra. Aquele cara com a camisa de outra cor é um inimigo e, tudo que for possível para reduzir o brio do mesmo é válido. Ainda que se xingue o rival com alguns nomes que você nem sabe o significado (sevandija é o meu preferido...), aquilo fica ali. Briga em futebol (e eu já vivi várias) não saem do campo. É um acordo tácito entre os Homens (sim, com h maiúsculo) que se dispõe a batalhar no campo, antes mesmo de sair do vestiário.

"Entendidos" pedem a elitização do futebol por meio de ingressos mais caros, comparando os preços dessa "forma de lazer" com teatro, cinema, shows... Engano puro, futebol não é lazer.

Futebol é coisa séria.

PS: eu nunca, de verdade, chamei alguém que não jogasse bola de "mulherzinha", é só uma expressão comum pra todo mundo, sobretudo, na infância.

PS2: Racismo, presente no artigo 20 da Lei 7716/1989, se aplica quando as ofensas se referem não a uma pessoa específica e sim a determinada raça (bem como cor, etnia, religião, origem...), ou seja, um número indeterminado de pessoas . Já a injúria racial, o que de fato aconteceu no jogo entre Palmeiras x Atlético-PR, é a ofensa de conteúdo discriminatório empregada a pessoa específica. Na prática, racismo é negar emprego a alguém porque a pessoa é judia, por exemplo.

(1)

domingo, 4 de abril de 2010

RIP.

Antes de mais nada, peço desculpas pelo atraso.
No dia 29 de março, o Brasil perdeu um dos maiores jornalistas de todos os tempos, o grande Armando Nogueira. Pela correria destes últimos dias, não fui capaz de homenagear o mesmo, pelo menos aqui no blog... Confesso que pesquisei sobre o cara pra poder escrever uma mini biografia pra quem não conhece, mas quer jeito melhor de homenagear um escritor do que citar um de seus grandes textos?
A MASSA
Armando Nogueira

Torcidas, as haverá mais numerosas (Flamengo) ou mais conhecidas por sua grandeza (Corinthians), mas nenhum séquito futebolístico brasileiro se compara ao do Clube Atlético Mineiro em mística apaixonada, em anedotário heróico, em poesia acumulada ao longo dos anos. "A Massa", como é simplesmente conhecida em Minas Gerais, compartilha com a torcida corinthiana ("A Fiel") a honra de deixar-se conhecer com um substantivo ou adjetivo comum transformado em nome próprio, inconfundível. A Fiel, A Massa: poucas outras torcidas terão realizado tal operação de mutação de um nome comum em nome próprio.

Muito distintas são, no entanto, as torcidas dos alvinegros paulistano e belo-horizontino: quem já vestiu a camisa do time do Parque de São Jorge sabe que a Fiel é fiel em sua paixão, não em seu apoio. Na derrota, a Fiel é implacável; não desaparece, como a torcida do Cruzeiro. Está sempre lá. Mas é capaz de crucificar com um pequeno manifestar-se de sua raiva. Na vitória, cobra cada vez mais, e reinstala aí sua insatisfação, cuja raiz quiçá esteja no mal-resolvido trauma dos 23 anos sem título, e do grande pesadelo de duas décadas chamado Pelé. A Fiel é fiel, e sempre o foi, mas sua fidelidade se nutre de um descompasso entre a alma do torcedor e a alma do time.

No caso do atleticano, a alma do time não é senão a alma da torcida. Toda a mística da camisa, das vitórias sobre times tecnicamente superiores (e também das derrotas trágicas e traumáticas), emana da épica, das legendárias histórias que nutre sua apaixonada torcida: nem o Urubu, nem o Porco, nem o Peixe, nem a Raposa, nem o Leão, nem nenhum animal mascote se confunde com o nome do time, com sua identidade, com sua alma mesma, como o Galo com o Atlético Mineiro. E Galo é o nome da torcida (GA-LO), bissílabo cantável e entoável como animal. Nenhum outro time é conhecido por tantas vitórias improváveis só conquistadas porque a massa empurrou. "Quem possui uma torcida como esta, é praticamente impossível de ser derrotado em casa" (Telê Santana).

Pelos idos de 69 ou 70, o timaço do Cruzeiro já tetra ou pentacampeão entrava em campo mais uma vez e parecia que de novo ia humilhar o Atlético, que já amargava o quinto aniversário do Mineirão sem nenhum título estadual. A superioridade técnica de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Raul, Piazza e cia era simplesmente incontestável. Mesmo naquele clássico durante vacas tão magras, a massa atleticana era, como sempre foi, maioria no Mineirão. Impotente, ela viu Dirceu Lopes abrir o placar e o time do Cruzeiro massacrar o Galo durante 45 minutos. No intervalo, a massa que cantava o hino do Atlético foi inflamada por um recado de Dadá Maravilha pelo rádio: "Carro não anda sem combustível." A fanática multidão encheu-se de brios, fez barulho como nunca, entoou o grito de guerra como nunca, encurralou sonoramente a torcida cruzeirense, e o time do Atlético, infinitamente inferior, liderado pelo artilheiro Dario e pelo seu grande goleiro (como é da tradição atleticana) Mazurkiewcz - virou o placar para 2 x 1 sobre o escrete azul, e abriu caminho para a reconquista da hegemonia em Minas, selada com o título estadual de 70 e o Brasileiro de 71.

Nenhum dos jogadores atleticanos presentes nessa vitória jamais se esqueceu da energia que emanava das arquibancadas, e que literalmente ganhou o jogo. Começou a tarefa no domingo seguinte às 10 da manhã, levando legiões de bandeiras para uma amarga partida contra o Bahia no Mineirão. Nenhuma outra derrota de um favorito no Brasileirão se revestiria de tanta mística apaixonada. A partir daí essa Massa acumularia dez títulos mineiros em doze anos, e uma sequência de campanhas sensacionais no Brasileirão (o Atlético Mineiro é o time que mais pontos conquistou nos Campeonatos Brasileiros), interrompidas na final ou semifinal, em jogos fatídicos (São Paulo -77, Flamengo-80, Santos-83, Coritiba-85, Guarani-86, Flamengo-87, Corinthians-88). A magia atleticana se encarnaria no seu torcedor mais famoso, Sempre, cujo nome real não se conhece, tal é força do apelido. Durante décadas, Sempre ocupou as arquibancadas do Independência e do Mineirão, com sua bandeira e seus ditos legendários. Nunca deixou de comparecer e nunca vaiou o time, embora chorasse nas derrotas. Foi dos primeiros a entoar o hino composto por Vicente Motta em 1969, e depois aprendido por milhões em todo o Brasil. Abria e fechava o clube diariamente, e participou de epopéias memoráveis da massa atleticana, como quando a multidão carregou no colo o artilheiro Ubaldo, pentacampeão mineiro de 1956, de sunga, ao longo dos 5,5 kilômetros que separam o estádio Independência da Praça Sete, ou como quando 20.000 atleticanos invadiram o Maracanã e empurraram o time à conquista do Primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971, sobre o Botafogo de Jairzinho. O Furacão de 70 sentiu seu peso de novo cinco anos mais tarde, na decisão do Mineiro de 76 - quando a Massa, mesmo tendo comemorado só 1 dos últimos 11 campeonatos mineiros, tomou conta do Mineirão para empurrar uma turma de me ninos de 18-21 anos (de nomes Reinaldo, Cerezzo, Paulo Isidoro, Danival, Marcelo) a vitórias contundentes sobre o campeão da Libertadores. Estava aberto o caminho para o hexacampeonato de 78-83.
"Se houver uma camisa alvi-negra pendurada no varal num dia de tempestade, o atleticano torce contra o vento." O achado do cronista Roberto Drummond resume a mitologia do Galo: contra fenômenos naturais, contra todas as possibilidades, contra forças maiores, a torcida atleticana passa por radical metamorfose e se supera. Superou-se tantas vezes que já não duvida de nada, e cada superação reforça ainda mais a mística, como uma bola de neve da paixão futebolística. Nenhum atleticano hesitaria em apostar na capacidade da Massa de transformar o impossível em possível a qualquer momento, de fazer parar aquela tempestade que açoita o pavilhão alvi-negro deixado solitário no varal. Não surpreende, então , o sucesso que tiveram os jogadores uruguaios que atuaram no Atlético Mineiro, do grande Mazurkiewcz ao maior lateral-esquerdo da história do clube, Cincunegui. Se há uma mística de garra e amor à camisa que se compara à atleticana, é a da celeste, não mineira, mas uruguaia. Só à seleção uruguaia a pura paixão por um nome e um símbolo levou a tantas vitórias inacreditáveis, improváveis, espíritas, ou puramente heróicas. Em 1966, as duas camisas legendárias se encontraram, e o Galo derrotou o Uruguai duas vezes (26/04/66 - Atlético 3 x 2 Uruguai, 18/05/66 - Atlético1 x 0 Uruguai).
Ao contrário das torcidas conhecidas por sua origem étnica (Palmeiras,Cruzeiro, Vasco), por sua origem social (Flamengo, Fluminense, Grêmio, São Paulo), ou por seu crescimento a partir de uma grande fase do time (Santos, Cruzeiro), qualquer menção da torcida do Atlético Mineiro evoca, invariavelmente, a sub stância mesma que constitui o torcer. O amor ao time na vitória e na derrota, o apoio incondicional, a garra, a crença de que sempre é possível virar um resultado, o hino entoado unissonamente: a legião fanática que ama o Galo acima de tudo sabe que ser atleticano é unir-se num estado de espírito, compartilhar uma memória, e fazer da esperança uma permanente iminência. A massa atleticana é a prova maior de que, mesmo em época de profissionalização total do futebol, e do negócio futebol, para o povo brasileiro este é acima de tudo paixão por uma cor, um nome, um símbolo, a memória de um instante que pode ser um gol, um campeonato, um abraço ou um beijo. Galo é o nome que mais radical e verdadeiramente expressa, para tantos milhões de brasileiros, o inexplicável dessa paixão. O Galo é o único clube a ter vencido a Seleção Brasileira. E não foi qualquer uma. Ela entrou em campo com Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivelino); Jairzinho, Tostão (Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César). O Galo venceu com Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri (Beto); Vaguinho, Laci, Dario e Tião (Caldeira).
Clube Atlético Mineiro, Galo Sempre!
grito de guerra que ela eternizou ao encarnar em si o espírito do

Muito obrigado Armando Nogueira, pelo reconhecimento de sempre. Pelas palavras de sempre. Pelo talento de sempre. Ainda que não compartilhe de seu ideal de futebol arte, de espetáculo, cabe a mim abaixar a cabeça e dizer: Obrigado por tudo, mestre Armando.

Descanse em PAZ!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Panis et Circus.

Da Roma antiga vem a origem:

"Com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta."


Quase 2000 anos depois, tudo se repete. Escondidos sob a perspectiva de Copa do Mundo, o povo esquece dos problemas atuais. Naquela época ainda ia, povo alienado e morrendo de fome, não tinha nada a saber sobre política. Hoje não é assim. Será?

Sério. Jornalistas brincando com a inteligência do povo, falam do legado que a Copa do Mundo vai deixar no Brasil. Das estruturas, dos investimentos em infraestrutura e etc. O problema está aí, deixar a Copa ser o motivo pra cobrar que os políticos façam esses investimentos é absurdo.

Vou citar o exemplo de BH, que é o que eu acompanho de perto. BH tem metrô? Tem uma linha que parte do Eldorado em Contagem e vai até Vilarinho. Pra quem não conhece, isso corta a cidade de leste a oeste, passando pela zona central. E só. Vale dizer, que o Mineirão fica numa região bem mais a cima, afastada dessas linhas e o transporte público (a.k.a. Bhtranstorno) é meio mal planejado. O metrô (de fato), é promessa de campanha de vários políticos a pelo menos 3 eleições. Estão prevendo gastar 2,9 bilhões de reais em transporte em BH e pelo prazo, muito dificilmente o projeto do governo de Minas será cumprido em totalidade. Segue matéria do Estado de Minas de ontem (01/06/2009):

Se sair, o metrô da Copa será um imenso avanço em relação à infraestrutura disponível hoje, mas ainda ficará aquém do previsto nos planos originais do governo. Fora a rota Savassi-Pampulha, que ficaria incompleta para a competição, sairia uma parte da linha Barreiro-Santa Tereza. Um ramal em superfície seguiria da região operária até o Bairro Calafate, na Zona Oeste, com sete terminais. O trecho subterrâneo, com mais oito, ficaria para depois. Os novos segmentos fariam integração com a linha Eldorado-Vilarinho, já existente, que passaria por melhorias, com a compra de composições e a reforma do sistema de sinalização.

As obras estão orçadas em R$ 2,9 bilhões, valor que pode variar com o câmbio e não está assegurado. Os governos federal e estadual ainda discutem se o empreendimento será feito com 100% de dinheiro público ou por meio de uma parceria público-privada (PPP). Nesta hipótese, a União e outras esferas de governo aplicariam cerca de R$ 1,7 bilhão. Aos obstáculos financeiros, somam-se os técnicos.

Para sair do papel, o metrô depende dos projetos básico e executivo, que podem levar até dois anos para ficarem prontos. O primeiro, que vinha sendo feito por uma empresa contratada pela CBTU, foi paralisado no ano passado. “Pararam de mandar dinheiro. Faltam R$ 14 milhões”, afirma o superintendente da empresa em Minas, José Roizenbruch, reconhecendo que o valor é uma ninharia, diante do total de investimentos.

Para o segundo estudo, mais detalhado, nem foi aberta licitação. Ele custaria de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões. Não há verba prevista no Orçamento 2009 nem para ele nem para a peça mais barata. Obras dessa natureza são uma caixinha de surpresas e só o detalhamento dos projetos poderá ditar o ritmo dos trabalhos. O superintendente exemplifica: se a linha terminar na Lagoinha, será necessário construir um pátio para manutenção e manobras dos trens, que, quase certamente, será subterrâneo. “Isso pode ficar tão caro quanto esticá-la até a Pampulha”, comenta.

Tudo depende, ainda, do que será encontrado debaixo do chão. Conforme a composição do solo, fica mais ou menos fácil escavar o caminho dos trens. Contra a maré de dificuldades, o superintendente recorre a um clichê: “Se não faltar dinheiro (a partir de agora) e vontade política, dá para fazer”.


Calma lá, a Copa é daqui a 5 anos e só hoje começaram a pesquisar soluções? Isso deveria estar pronto antes da candidatura ser enviada a Fifa.

Só a título de comparação, quando trabalhava em Contagem e ia de carro pra faculdade, chegava sempre em pouco mais de uma hora e meia. De metrô, em 23 minutos cronometrados. A facilidade é enorme.

Extraoficialmente, o maior entrave pra implantação do metrô são as companhias de ônibus que comandam o cartel.

Outro problema em BH é a rede hoteleira. Tá certo, Belo Horizonte não é uma cidade turistica nos moldes do Rio, não tem atrativos econômicos como São Paulo, nem praias como Natal e Recife. Mas a rede hoteleira aqui vai precisar de muitos investimentos.

Fala-se hoje que BH é, ao lado de São Paulo e Brasília, a principal candidata a receber a abertura da Copa. Por pura politicagem. Acredito que a pendência ainda é com relação à briga entre o coronel Neves e José Serra pela candidatura a presidência em 2010. Vai depender disso a escolha da abertura.

Quanto a escolha das sedes, tem mais é que ter sedes espalhadas mesmo. Brasil é um país gigante, cada lugar é muito diferente um do outro. Isso tem que ser explorado sim. Nada daquela putaria de sempre, de RJ-SP-MG-RS-DF... Tem que ter Amazônia, Pantanal, Nordeste de fato no meio. Afinal, Brasil não é só o centro-sul.

Brasil não é só o PIB de São Paulo. Brasil é o IDH porco do Maranhão também. Não é o calor de Fortaleza, é o frio do sul também. Não só é bossa nova carioca's style malandrão, é o arrocha (hahaha) do Pará (?) também, além dos outros ritmos regionais. Não é só a censura da mídia de Minas, é a livre imprensa em... Ah, isso é geral. Não é só a corrupção em Brasília, é a honestidade em... Bah, também é geral... Foi mal. [governo] Mas é o país mais lindo do mundo e eu sou brasileiro e não desisto nunca[/governo].

Já que a merda da Copa aqui está feita (e falo isso porque o Brasil não tem know how nem capacidade de receber um evento como esse), que seja bem feito, que ao menos uma vez sejam feitas as coisas com dignidade nesse país.

Desconheço a fundo a situação da maioria das outras sedes, então não comento, mas não digo também que a situação aqui é exclusiva, acho que 80% das sedes não tem capacidade pra receber (hoje) nem jogos do campeonato Brasileiro (em termos de futebol em si; gramado, estádios, segurança...) o que dizer de uma Copa do Mundo? Politicagem misturando com futebol não é novidade nenhuma, vide CBF. Definitivamente, há algo de podre no reino da Dinamarca. E me esforcei profundamente pra não falar em corrupção.

Primeira citação: daqui.
Segunda citação: daqui.