domingo, 20 de março de 2011
Malhação.
A lenga lenga é esta, invariavelmente. Só as pontas do triângulo mudam (ou dois homens e uma mulher, ou duas mulheres e um homem). Mas não foge disso.
Nas outras novelas é basicamente a mesma coisa, mas na Malhação isso sempre me intrigou.
Na época onde eu via (sim, eu via...) era sempre a mesma coisa. Acrescente a isto um esporte descolado e um ou outro personagem aleatório no colégio e bingo. Temos um roteiro de novela.
Até falava disso com uns amigos, tempos atrás (muito tempo mesmo, aliás).
O papel negativo das novelas nas vidas das pessoas sempre me intrigou. Homens, mulheres, velhos, jovens, crianças. Todos.
A mocinha maltratada, coitada, luta pelo amor do mocinho, o bom rapaz, e passam por apuros que até Deus duvida para, no fim, estarem juntos, casarem, terem um filho e viverem felizes para sempre. O vilão, por outro lado, no final é punido e se ferra, ou percebe os erros e muda da água pro vinho. Fantástico.
O problema é que a vida não é tão simples. Aliás, é simples, mas essa idealização faz com que a gente ferre tudo.
A idealização de qualquer coisa é bobagem. É errado, porque na vida real, as coisas não são perfeitas. Pelo contrário.
Então fica a dica. O seu par perfeito não vai estar bem humorado todos os dias, não vai gostar das mesmas coisas que você, não vai deixar de ser egoísta em algumas situações, e blábláblá whiskas sache.
Esse papinho de novela de viveram felizes para sempre fica em Jacarepaguá, ok? Prova disso é a volatilidade dos relacionamentos dos seres humanos (sim!) que vivem personagens na telinha.
Invariavelmente a vida imita a arte, isso é inegável. Mas esta idealização, sobretudo nesses tempos pra lá de liberais em que vivemos, acarreta em dezenas de ilusões e milhares de corações partidos.
Pra quê? Me pergunto...
quarta-feira, 2 de março de 2011
XVI
Eu tenho um professor que falou certa vez que quem quiser advogar, deve sempre buscar casos polêmicos para fazer fama. Eu, enquanto aspirante a advogado (um dos poucos da minha sala, diga-se), geralmente não tento polemizar nestes assuntos, apesar da minha opinião geralmente ser contrária à "massa crítica".
Vou tentar ser mais claro, outra vez, como sempre tento ser aqui no blog (que não passa de uma brincadeira minha), desta vez sobre a tragédia que aconteceu no Rio Grande do Sul, envolvendo o boliche-humano dos ciclistas:
Pra quem estava na lua, um resumo. Um grupo de playboys manifestantes se reúne no centro de Porto Alegre, sempre à última sexta do mês (e eu desconheço a frequência com que isso acontece), para protestar sobre os benefícios do uso da bicicleta como meio de transporte. O interessante, pra mim, é que eles só conseguem chamar a atenção pra isso dessa maneira, ou seja, atrapalhando o trânsito dos demais motoristas.
Se os ciclistas tivessem cumprido o que diz a lei e comunicado ao dep. de trânsito, falando algo como: "olha, moço... A gente vai atrapalhar o trânsito porque queremos mostrar que bicicleta vai ajudar todo mundo a chegar no trabalho suado e mais cansado" e o DETRAN de PoA (ou o equivalente) tivesse comunidado à polícia, mais ou menos assim: "Broder, vai dar merda aquele tanto de bike na rua em pleno centro à noite. Tem como a gente fechar alguns quarteirões e fazer uma rota alternativa pros carros e evitar que atrapalhe MUITO o trânsito deles?".
Imagina só, fariam um corredor isolado pros ciclistas e um desvio pros carros. Não atrapalharia NINGUÉM e incomodaria muito menos o trânsito de veículos, o que até onde eu sei, é o objetivo principal do apetrecho nada moderno chamado via de circulação, a.k.a. rua.
Isso tudo, claro, pra agir de acordo com a lei, mais precisamente o artigo 5º, inciso XVI da Contituição:
"Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;"
Isso é pra cercear o direito? Não necessariamente. Você pode até pensar assim, e pra ser sincero, por alguns segundos quando li este inciso pela primeira vez eu até pensei assim também, que esta comunicação visava alertar ao poder público os planos de manifestantes para que assim qualquer tipo de revolta fosse impedida logo no começo. Mas não, meu caro.
O que aconteceu em Porto Alegre representa exatamente o que se evitaria caso as autoridades houvessem sido comunicadas.
Ainda assim, nada do que eu escrevi aqui justifica o comportamento "gouranga" (lmgtfy) do motorista, nem corrobora a fantasiosa versão de "legítima defesa" defendida pelo advogado.
Era só, vejam só, uma solução pacífica que poderia ser tomada antes da tragédia.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Silent Hil
Foram jogando Silent Hill.
Eu jogava com um detonado em mãos, geralmente com mais alguém comigo, com luz acesa, volume não muito alto para evitar sustos, janela fechada (uma vez um besouro entrou no quarto e eu, digamos, me assustei bastante eheh). E ainda assim eu jogava tenso.
O jogo não é violento, não tem zumbis arrancando a cabeça de ninguém. Mas o jogo em si é psicótico, tenso, pesado.
Olha o vídeo... Agora se imagine com 13 anos jogando isso.
É, eu sei. Hoje parece bobagem, mas este jogo já me deixou bastante tenso.
A história, se eu não me engano muito, era de um cara que ia passar férias com sua filha. De repente, alguma merda acontece e ela desaparece. Daí começa o jogo, da busca dele pela filha. Acontece que não é uma cidade comum, é uma cidade abandonada. Cheia de ruas "estouradas", com buracos saindo fumaça, seja lá de que, porque até onde eu me lembre, isso nunca foi explicado no jogo (sim, eu estou falando do primeiro, pra PSX!).
O terrorismo que eu ouvia sobre o jogo já era o suficiente pra ficar meio receoso, mas o clima do jogo em si é demais. Você fica tenso o tempo inteiro, cada vez que escuta o rádio tocar (o sinal de que você está prestes a ser atacado, sabe-se lá pelo que ou por onde), fora as ruas exalando fumaça e o aspecto abandonado de tudo... É uma sensação diferente.
Pouco tempo atrás eu até tentei voltar a jogar, mas o clima não era mais o mesmo e eu preferi manter minha perspectiva adolescente da parada. Desliguei na hora.
Anyway, essa introdução gigante é pra falar de uma coisa que eu descobri outro dia.
A cidade EXISTE. Sim, existe.
Chama-se Centralia, no estado norte americano da Pensilvania.
Centralia já foi uma cidade próspera, onde a principal atividade era a extração de minerais (carvão, I guess...). Não era uma cidade muito grande. Um belo dia, por volta de 1962, um incidente em uma das minas de carvão causou um enorme incêndio, que se espalhou por todo o subsolo da cidade.
E assim continua até hoje. O subsolo de Centralia arde em chamas há quase 50 anos, sem parar, com temperaturas beirando 77ºC. O governo Obamístico já cansou de gastar dinheiro tentando combater este incêndio, buscando a restauração da cidade. Até onde eu vi, US$ 40 milhões de doletas (!!!). Em vão. A única saída que restou foi a evacuação da cidade, pois segundo alguns especialistas (aliás, quem é especialista em fogo no chão é o que?) o fogo deve continuar ativo por mais uns 500 anos.
Vira e mexe uma galera vai até Centralia registrar como anda a cidade (inclusive, lá tem Google Street View ahahah), e há relatos que por volta de 2016 uma moçada vai retornar à cidade para buscar uma "capsula do tempo", enterrada em 1966.
Pelo amor de Deus, manolos, só não entrem no hospital!
sábado, 15 de janeiro de 2011
Dinheiro compra tudo?
Será que vale tanto a pena assim fazer o leilão entre Globo e Record, pelos direitos de transmissão do Brasileiro 2011?
Tem tudo pra ser o campeonato com maior audiência desde sempre. A volta de grandes atletas, como Ronaldinho e Rivaldo, e por que não, Mancini e Elano. Times bem montados, finalmente com a ficha da fórmula mágica do elenco caindo, rivalidades afloradas desde a época dos estaduais... Audiência não vai faltar.
Desde que eu me entendo por gente os direitos de transmissão do Brasileiro estão sob as mãos da Rede Globo, a Vênus Platinada, como diriam alguns.
Por favorecimento? Talvez.
Mas eu parto do princípio que a estrutura adquirida ao longo dos anos, não importa por quais meios, é inigualável no Brasil, quiçá no mundo.
Um exemplo bobo, mas real são as novelas. A rede Record vive "comprando" atores e atrizes, diretores, roteiristas e produtores da Globo, mas ainda assim os folhetins não alavancam. Falta aquele "quê" de originalidade, todas as novelas parecem cópias de algum filme ou seriado. Ou, pior ainda, remetem à raíz das novelas mexicanas da Televisa, marca de outra emissora paulista, o SBT. Edir Macedo investe em estúdios, câmeras, profissionais... TUDO. Mas nem de perto as novelas da Globo parecem afetadas. Em outras áreas, idem. O "Legendários", programa de humor da Record, chegou com banca mas não conseguiu emplacar, mesmo com grandes nomes como Mion, João Gordo, Hermes e Renato, etc. Literalmente pagando de cópias de si mesmos, mesclando ainda com o tipo de jornalismo do CQC e os fatos apelativos do Pânico.
Temo que aconteça o mesmo com o futebol. O fato de uma emissora finalmente conseguir peitar a Globo em termos financeiros não significa que a qualidade de transmissão vai acompanhar.
Será que na Record teremos transmissões regionais? E eu não falo de Guarani x São Paulo, em Campinas. Falo de Grêmio x Bahia, Atlético x Coritiba, Cruzeiro x Internacional. Hoje, a Globo Minas transmite quase que sempre jogos dos times mineiros, sempre o que joga fora de casa no "horário comercial", ou seja, domingo às 16:00, ou quarta às 21:50.
Aliás, esse fator horário pode mudar também. Confesso que este é o único aspecto que pesa a favor da Record, no meu julgamento. Pra ir no campo hoje, preciso viajar uma hora e pouco até Sete Lagoas devido às obras para a Copa do Mundo. Imagina sair de BH numa quarta feira às 20 horas para ver um jogo às 21:50, retornando de lá, por uma estrada cheia e perigosa de madrugada? Isso acontece hoje. Talvez com a vitória da Record nessa "licitação", provavelmente os horários de meio de semana serão alterados... Talvez para a hora do Jornal Nacional, às 20 horas, ou para o começo da novela, às 21:00. Pro torcedor, com certeza será melhor.
Talvez esta concorrência seja boa em termos financeiros ao futebol brasileiro, mas será que os torcedores serão beneficiados?
Em tempo, pra você que reclama de Rogério Correa (me incluo nisso), imagine como será assistir jogos com narração de Eder Luiz e comentários de Muller.
Por isso sou a favor da permanência da Globo.
Se tem alguém que lê esta porcaria, por favor, queira se pronunciar nos comentários. Depois de um longo e tenebroso inverno, acho difícil que alguém ainda frequente esta espelunca.
Novos posts virão, aguardem.
terça-feira, 27 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Ainda existem bobos no futebol
Na aplicação original da frase, em termos de cancha, pode até ser. Mas no futebol em geral, bom, isso não se aplica.
Nos dois últimos meses, tivemos duas histórias que comprovam a minha afirmativa.
Se você não esteve no planeta Terra nas duas últimas semanas talvez não saiba, mas o goleiro do Flamengo, Bruno, está preso suspeito de participação no assassinato da modelo, atriz
Ele é um bom goleiro, acompanhei a carreira dele na base do Atlético e sempre apresentou bons reflexos, bom posicionamento e boa liderança. Era titular do Flamengo desde o fim de 2006, havia recentemente completado 230 partidas pelo clube. Isso com 25 anos de idade... Tinha um futuro absolutamente promissor no esporte, apesar do caráter (?!) duvidoso e do descontrole em algumas situações. Especulações davam conta que ele era um dos favoritos a assumir o posto do brasileiro Dida, no Milan da Itália.
Tudo foi jogado no lixo nesses últimos dois meses.
Saindo do óbvio sensacionalismo que envolve o caso, quero falar sobre as escolhas que envolveram o caso e como o goleiro poderia ter resolvido as coisas de maneira bem simples. Uma vez que a moça dizia que ele era o pai do filho, bastava fazer o teste de DNA e comprovar a paternidade. Uma vez comprovado que ele não era o pai, problema resolvido. Caso contrário, bastaria passar a contribuir com a pensão... Convenhamos, nada muito absurdo pra alguém que recebe R$ 200 mil mensais, fora contratos de patrocínio... Uma pensão fora da realidade brasileira, para ele não seria algo exagerado... Talvez uns 30 mil reais por mês, mais do que o necessário para a criação de seu filho, de fato, porém irrisório se levarmos em conta os vencimentos do pai.
Independente de a mãe ser uma chantagista ou qualquer coisa do tipo, a criança não tem nada com isso e merece crescer com boas condições, o que cabe aos pais proporcionarem. Como a situação financeira de Bruno é absolutamente tranquila, contribuir para a criação de seu filho é obrigatório, sobretudo sob o ponto de vista moral.
Porém, segundo as investigações, o goleiro tomou outra decisão. E está pagando por ela. Diferente de outros lugares, eu não vou falar que o referido fez ou deixou de fazer alguma coisa. Mas se as investigações se direcionaram a ele, fato comprovado pela prisão preventiva em uma penitenciária de segurança máxima, acho que as perspectivas não são muito boas sobre a inocência.
Independente de participação no homicídio ou não, a carreira de Bruno acabou.
O outro caso envolvendo "boleiros" (1) e burradas, envolveu o também jovem e promissor Alexandre Pato. Outra vez, por falta de orientação.
Pato tem 20 anos, joga no Milan desde 2007 e teve uma carreira meteórica. Até o fim de novembro de 2006, ninguém no Brasil conhecia o jogador e, depois de uma boa estréia e um bom Mundial Interclubes, virou a nova sensação do futebol. Seis meses depois, já estaria jogando na Itália.
Coisa de filme? Ainda não. Faltaria ainda o casamento com uma estrela de novela, jovem (como ele) e de família abastada.
Casamento que durou apenas nove meses e que vai custar caro. Cerca de dez dias atrás, foi determinado em juízo que Sthefany Brito tem direito a receber uma pensão correspondente a 20% dos rendimentos do jogador (trocando em miúdos, cerca de 130 mil reais, por mês). Cabe ainda, percentual para a atriz sobre qualquer contrato de patrocínio que envolva Pato.
Tá certo que Pato recebe muito bem, sobretudo para alguém de sua idade. De fato, não deve ter sido fácil para Sthefany largar a família e o trabalho no Brasil e se lançar às cegas na Europa, recém casada e sem experiência. Mas garantir a uma garota de 23 anos uma fortuna dessas, proveniente do trabalho de um ex-marido com quem esteve junto por menos de um ano é demais. Ela é jovem e saudável, apta a voltar a trabalhar como atriz (apesar de nunca ter sido nada demais) e quem sabe, viver como um mero mortal e fazer uma faculdade (pode até ser particular, aposto que o pai tem condições de pagar), procurar um emprego... Filho seria um motivo razoável para tal pensão, mas contrapondo a situação do Bruno, Pato e Sthefany (puta nome complicado de se escrever, pelo amor de Deus...) não tiveram herdeiros.
Com a minha pequena experiência em direito, acredito que a sentença da juíza que determinou os 20% será reformada pois é absurda. Mas ainda assim, por conta de falta de orientação ao jogador, grande parte de seus rendimentos está comprometida a uma ex-mulher com quem conviveu por meros nove meses. Não sei o que aconteceu no casamento dos dois, o objetivo do texto não é julgar o comportamento de X ou Y, muito menos ser machista ou anti-feminista. Só acho errado esse tipo de comportamento, amparado pela indústria do divórcio.
Assim morre a lição do artigo 8°, inciso XL, do Código Galvão Bueno das Frases Feitas:
É amigo... Ainda existem bobos no futebol.
(1) Odeio essa expressão, mas é melhor do que falar "futebolista", como na wikipédia.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Paciência de Jó
Conta a história que Jó foi vítima de uma aposta entre Deus e Satanás. Mais precisamente, um teste de integridade e probidade. Jó possuía riquezas e era considerado o maior de todos os homens do Oriente...
Ora, chegado o dia em que os anjos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela. Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura Jó teme a Deus debalde? Não o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam na terra. Mas estende agora a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ele blasfemará de ti na tua face! Ao que disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo o que ele tem está no teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. [Jó 1:6-12]
Satanás, entretanto, desafia esta fé, e então Deus permite que o mesmo interfira na vida de Jó, resultando na tragédia deste: a perda instantânea de seus bens, de seus filhos e de sua saúde.
Jó, porém, não blasfemou contra Deus, mas, ao invés disso, se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou ao Senhor. Deus permitiu que Satanás ferisse Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça. Após a narração desses fatos, sucederam debates entre Jó e seus amigos (Elifaz, Bildade e Zofar) sobre a grandeza dos propósitos da divindade e sobre os mistérios da vida humana e sua culpabilidade. Ao final, Deus aparece a eles e repreende-os, e Jó fala: "Antes eu Te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos Te veem".
E Deus virou a situação de Jó, enquanto ele orava pelos seus amigos, e o Senhor devolveu a Jó em dobro a tudo quanto antes possuía de bens materiais, além de vir a ter outros sete filhos e três filhas, as quais vieram a ser consideradas como as mais belas da época. E ele viveu cento e quarenta anos, e morreu velho e farto de dias.
Colocando tudo em linhas gerais, é possível continuar trabalhando normalmente com todo mundo sendo contrário ao seus serviços?
É suficiente ser campeão de três campeonatos tendo disputado quatro?
Dunga liderou a seleção na primeira colocação das Eliminatórias da Copa e se classificou com muita facilidade, foi campeão da Copa América e da Copa das Confederações. O único revés em termos de competições foi nas Olimpíadas, onde a seleção ficou em terceiro lugar.
E ainda assim, as cobranças só aumentam. Não ter levado Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar apagou completamente o histórico do treinador. Pelo menos é assim que a imprensa age.
Engraçado.
Porque ele foi o responsável por cortar (quase) todas as regalias da Rede Globo com a Seleção. Acabaram as entrevistas exclusivas pós jogo, as matérias imbecis com Ana Maria Braga e afins. Dunga peitou a Globo ao impor o fim da mamata.
Depois de quase quatro anos trabalhando contra a imprensa e consequentemente a torcida, apresentando bons resultados, Dunga ontem, após a vitória contra a Costa do Marfim pela primeira fase da Copa do Mundo, perdeu a paciência com um jornalista da Tv Globo que ficou ironizando sua resposta.
O contra-ataque da "Vênus Platinada", veio na forma de um editorial pra lá de mesquinho no Fantástico e na declaração de guerra contra o técnico.
Não há como dizer que Dunga está fazendo um mal trabalho pela seleção. Afinal, os números mostram o contrário. O impressionante é a Globo ficar revoltada por, pela primeira vez em muitos anos, não ter privilégios sobre os outros canais de tv.
Dunga castrou o futebol alegre da seleção de 2006, aquele oba oba tremendo que não rendeu em absolutamente nada. Fez o time jogar pragmáticamente, priorizando resultados antes de espetáculo. Vem dando certo.
Impôs o futebol pegado e brigador que demonstrava enquanto foi capitão da Seleção, naquela injusta referência de "geração Dunga" como uma geração fracassada. Uma geração que sob a batuta do próprio Dunga, foi tetra campeã em 94 e vice em 98, nunca se esqueceu das ásperas palavras ditas no passado.
E hoje, só resta dizer uma coisa:
Paciência tem limite.
Na humilde opinião deste que vos escreve, Dunga está mais do que certo.